Em uma declaração sóbria na Farnesina, o vice‑premier e ministro dos Negócios Estrangeiros, Tajani, atualizou a posição do governo italiano diante da escalada no Oriente Médio provocada pelo recente ataque contra o Irã. O tom foi de cautela calculada: não há, até o momento, relatos de militares italianos ou cidadãos feridos nas regiões afetadas, mas persiste uma preocupação logística e humanitária pelo elevado número de compatriotas concentrados nos Emirados Árabes.
Tajani afirmou que o governo italiano foi informado pelo gabinete israelense quando a operação já estava em curso. Em contato direto com o ministro israelense Gideon Sa’ar, o titular da Itália recebeu detalhes do alinhamento político e militar entre Israel e Estados Unidos na ação, descrita como iniciada antes da notificação oficial a Roma.
Sobre a circulação de cidadãos, o chanceler italiano destacou que «não há, neste momento, italianos em Teerã que precisem deixar o país». Apenas um cidadão cruzou a fronteira para o Azerbaijão e foi embarcado em um voo que deverá chegar a Malpensa nesta manhã. A maior complicação — explicou — é a concentração de italianos em Dubai e Abu Dhabi, tanto residentes quanto turistas, incluindo numerosos menores deslocados com excursões escolares.
Do ponto de vista operacional, Omã anunciou o fechamento temporário de sua fronteira para não‑omanitas, um movimento que redesenha, sem aviso, rotas de saída e pressiona planos de evacuação. O trajeto terrestre até a fronteira, avaliou Tajani, pode exigir cerca de cinco horas, implicando riscos logísticos e exposição desnecessária — por isso a recomendação oficial é que muitos optem por permanecer em Dubai, onde recebem assistência e alojamento custeados pelas autoridades locais.
O pronunciamento foi calmo, mas firme: não há indicação de perigo iminente à integridade física dos italianos nos Emirados, graças ao acompanhamento das autoridades em solo, da embaixada e dos consulados. No entanto, a verdadeira apreensão do ministério é demográfica e prática — a «largura do tabuleiro», como quem observa uma partida de xadrez, onde milhares de peças (neste caso civis) precisam ser preservadas sem provocar deslocamentos perigosos.
As orientações concretas incluem permanecer em hotéis pagos pelos países anfitriões, limitar deslocamentos, não se expor nas ruas durante alertas por drones e acompanhar as comunicações da representação diplomática. Em termos estratégicos, a movimentação de Omã é um lembrete de que a tectônica de poder regional pode alterar rotas civis e humanitárias com rapidez — e que a diplomacia, como arquitetura clássica, precisa de alicerces firmes para sustentar respostas coordenadas.
O Itamaraty segue monitorando a situação em estreito contato com autoridades locais, parceiros europeus e aliados norte‑americanos. A prioridade declarada é dupla: garantir segurança imediata e preparar rotas seguras e coordenadas para um eventual retorno controlado dos italianos, evitando óbvias precipitações que poderiam transformar uma emergência numa crise maior.






















