Sanremo 2026 terminou e, como sempre, o ritual pós-festival ganha sua vitrine televisiva: neste domingo, 1º de março, acontece o especial de Domenica In transmitido ao vivo do Teatro Ariston de Sanremo. A partir das 14h até as 19h55, na Rai 1, o encontro promete reunir os ecos da competição que mobilizou a Itália e o olhar curioso da Europa sobre música e memória.
No palco, serão apresentadas as performances de todos os 30 cantores que disputaram o palco do festival, além de uma aparição dedicada ao vencedor da categoria Novas Propostas, Niccolò Filippucci. A anfitriã da transmissão é a consagrada Mara Venier, cuja presença televisiva se confunde com a tradição do entretenimento italiano: calorosa, crítica e capaz de transformar um estúdio em sala de estar para milhões.
A conversa será complementada por vozes de opinião: o jornalista cultural Tommaso Cerno e o stylist e comunicador Enzo Miccio estarão ao lado de Mara para dissecar números, escolhas estéticas e narrativas que emergiram ao longo do festival. Junto a eles, nomes reconhecidos do entretenimento e jornalistas das principais redações acreditadas em Sanremo completam o painel de análise.
Mais do que um apanhado de canções, este especial funciona como um espelho do nosso tempo: o Teatro Ariston volta a ser o cenário onde se cruzam memórias afetivas, estratégias de indústria e o roteiro oculto das identidades coletivas. Assistir a esses encontros depois da premiação é como ver o making of de um filme premiado — há sempre detalhes que alteram a percepção do resultado final.
O público pode esperar comentários sobre as performances, conversas sobre figurinos e estética, além de reflexões sobre o que as canções dizem sobre o país e sobre a cena musical europeia atual. Em tempos em que o viral se confunde com o artístico, programas desse tipo reframeiam o acontecimento e ajudam a mapear seu impacto cultural de curto e longo prazo.
Embora a lista e a ordem de saída dos cantores no especial sejam definidas pela produção, a essência permanece: uma celebração crítica e pública do festival, que permite rever triunfos e controvérsias com a distância necessária para interpretar seus sentidos. Para quem acompanha o fenômeno sanremese como um indicador sociocultural, o programa é leitura obrigatória — e um convite a pensar por que certas canções ficam, enquanto outras se dissipam.
Ao transmitir ao vivo da capital do festival, a Rai 1 e Domenica In consolidam o papel do evento como espelho cultural, onde música, televisão e crítica se interseccionam. Este especial é, portanto, mais do que um resumo: é um convite a escutar o que o festival ousou dizer sobre nós, e a pensar no próximo capítulo dessa história coletiva.






















