ROMA, 28 de fevereiro de 2026 — Em cerimônia de entrega das Benemerenze 2026 promovida pela Lega Nazionale Dilettanti e pelo Settore Giovanile e Scolastico da FIGC, o futebol italiano prestou uma homenagem contida e profunda a Dino Zoff no dia em que o ex-goleiro completa 84 anos. A sala se transformou num raro instante em que memória coletiva e reconhecimento institucional se sobrepuseram ao brilho efêmero dos resultados.
Gabriele Gravina, presidente da federação, definiu Zoff como uma “ícone do futebol italiano, um cavalheiro que atravessou décadas do nosso mundo com elegância, estilo, moderação e sem perder a ligação com as raízes e os valores reais do futebol. Por isso, por ser um exemplo, seremos sempre gratos”. Palavras curtas, mas carregadas de intenção: não apenas celebrar feitos, mas afirmar um repertório de comportamento que o esporte ainda precisa cultivar.
Ao lado de Gravina, Giancarlo Abete, presidente da Lega Nazionale Dilettanti, recordou o papel de Zoff como referência para todo o sistema futebol: “uma pessoa que fez grande o futebol italiano. Estamos ligados a ele por seus papéis no universo futebolístico, demonstrando que se pode alcançar sucessos mundiais mesmo partindo de realidades amadoras. Para nós, és um exemplo — alguém que sabe unir a dimensão do sucesso esportivo à dimensão valorial e a comportamentos éticos. És patrimônio do futebol italiano e do país”.
A presença de Dino Zoff na cerimônia foi recebida com uma longa salva de palmas. Antes dos cumprimentos, recebeu as distinções: medalha de ouro e o distintivo da Lega Dilettanti. Gestos institucionais que, nessa ocasião, foram menos sobre protocolo e mais sobre memória: recordar que figuras públicas do esporte exercem uma função simbólica, além do desempenho técnico.
Interpretar a homenagem a Zoff requer olhar além da biografia esportiva. É verdade que ele é lembrado por recordes — capitão da seleção campeã do mundo em 1982, um guardião implacável e uma presença constante nos clubes que serviu — mas o que a cerimônia destacou foi seu estatuto como modelo ético. Num tempo em que as instituições do futebol enfrentam crises de credibilidade e tensões econômicas, reafirmar exemplos pessoais que conciliam sucesso e integridade tem um valor prático: serve de bússola para categorias de base, voluntários e dirigentes do futebol amador, onde nascem valores que depois chegam à elite.
Para a FIGC e para a Lega Nazionale Dilettanti, homenagens como essa não são apenas exercícios de nostalgia. São declarações programáticas: a lembrança de Zoff funciona como um lembrete sobre o que merece ser protegido no futebol — as comunidades locais, a formação juvenil, a ética no comportamento e a ideia de que mérito esportivo pode conviver com responsabilidade social.
Ao final, a imagem que ficou foi a de um homem aplaudido não só por um percurso de excelência, mas por ter mantido uma coerência entre o esporte que praticou e os valores que defendeu. Em tempos complexos, reconhecer e projetar esse tipo de figura é um ato de preservação cultural. E, como disse Gravina, um gesto de gratidão que se pretende duradouro.





















