Por Marco Severini — A recente onda de ataques com drones e mísseis lançada a partir do Irã contra alvos em Dubai desencadeou uma cadeia de efeitos que expõe, em poucos movimentos, os alicerces frágeis da diplomacia e a nova tectônica de poder na região. Entre os impactos imediatos está a paralisação do tráfego aéreo e a apreensão de cidadãos italianos no emirado: 204 jovens participantes do projeto “Ambasciadores do Futuro” da associação World Student Connection permanecem retidos até a recomposição segura das rotas de retorno.
O episódio também afetou figuras públicas: o ministro da Defesa, Giacomo Crosetto, ficou temporariamente bloqueado em Dubai com sua família. Famílias em Itália relatam ansiedade — entre os estudantes há jovens do Vêneto, incluindo um aluno de 16 anos do Instituto Técnico Comercial “Calvi” de Pádua. Pais descrevem incerteza sobre a data de regresso: “Meu filho deveria aterrar em Milão no dia 1º de março às nove da manhã, e ainda não sabemos quando voltará”, conta uma mãe. Segundo as autoridades, os estudantes estão sendo alocados em hotéis e acompanhados por tutores até a reprogramação dos voos.
No campo militar, a resposta italiana foi imediata e pautada pela precaução. O ministro Crosetto informou que não houve envolvimento de pessoal da Defesa nos ataques em curso e que a prioridade é a segurança dos militares e do pessoal italiano estacionado em teatros operacionais do Médio Oriente. Em videoconferência com os mais altos comandos, ele ressaltou a necessidade de manter linhas de comunicação abertas e atualizações constantes.
Em várias bases, as forças italianas foram conduzidas para abrigos subterrâneos: o contingente de cerca de 350 militares no Iraque foi posto em segurança, assim como o pessoal da Força Aérea na base de Al Salem, no Kuwait. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, informou que uma base foi atingida, mas assegurou que todos se encontram em salvo. Relatos do terreno apontam que diversos mísseis caíram dentro do perímetro de uma instalação, acionando os protocolos padrão e a passagem para bunkers.
Outras posições italianas também foram movimentadas: aproximadamente 70 militares na Jordânia, próximos a Amã, foram transferidos para abrigos, e cerca de mil integrantes do contingente no Líbano — sobretudo na base de Shama e posições no sul — estão em estado de alerta. Em Jericó, na Cisjordânia, há uma trintena de carabineiros. Paralelamente, centenas de militares que participam desde 2024 da Operação Aspides no Mar Vermelho, voltada a conter a ameaça dos Houthi, enfrentam um cenário de escalada, após o grupo anunciar a retomada dos ataques depois do bombardeio no Irã.
Como analista que observa o tabuleiro geopolítico, preciso sublinhar: este não é apenas um incidente isolado, mas um movimento com potencial para redesenhar zonas de influência. A evacuação de civis, a proteção de contingentes e a manutenção de corredores aéreos seguros tornam-se agora prioridades estratégicas. A Itália age com prudência, reforçando defesas e canais diplomáticos para evitar que uma sequência de respostas impulsivas transforme um attrito em conflagração aberta.
Enquanto as autoridades trabalham para repatriar os 204 estudantes e garantir a segurança dos nossos militares, a opinião pública italiana acompanha com apreensão cada passo do desenrolar. No tabuleiro, cada movimento é pesado; nas próximas horas, será crucial medir reações e preservar vias de desescalada.






















