Marco Severini para Espresso Italia — Na manhã do feriado judaico do Shabbat, por volta das 7h, um movimento decisivo no tabuleiro do Oriente Médio mudou bruscamente a paisagem de risco regional. Uma ação coordenada atribuída a Israel e aos Estados Unidos atingiu várias cidades iranianas, com relatos imediatos de explosões e colunas de fumaça em diferentes pontos do país.
O ministro da Defesa israelense, Katz, anunciou que Israel lançou um “ataque preventivo” contra o Irã para neutralizar ameaças que foram definidas como “existenciais” para sua segurança. Em consequência, foi declarado o estado de emergência em todo o território israelense; pouco depois, sirenes ecoaram em várias regiões por temor de uma rappresaglia.
Fontes locais e a agência Tasnim informaram que o bairro de Pasteur, em Teerã — onde reside a Guida Suprema Ali Khamenei — sofreu o impacto de pelo menos sete mísseis. Segundo Tasnim, Khamenei foi transferido para um local seguro. Também foram relatados danos em prédios ligados à presidência (mencionada como Pezeshkian) e a instalações da magistratura; o presidente, contudo, foi declarado “em plena saúde”.
Na narrativa oficial israelense, o primeiro-ministro Netanyahu afirmou: “Estamos ajudando o povo iraniano a obter liberdade contra uma ameaça existencial”, anunciando ao mesmo tempo a operação batizada como “Leone ruggente”, evocando a operação de junho, “Leone rampante”. Nos Estados Unidos, o ex-presidente Trump, em Mar-a-Lago, confirmou o apoio à ação, justificou a intenção de destruir capacidade mísseis e indústria balística iraniana, admitiu a possibilidade de vítimas americanas e conclamou — de forma pública — por uma resposta popular iraniana.
A réplica de Teerã foi imediata e veemente: classificou o ataque como uma nova agressão por parte de Estados Unidos e Israel e prometeu “responder com força”. Relatos indicam uma massiva rappresaglia mísseis contra bases americanas no Golfo e contra alvos israelenses. O IDF (forças de defesa israelenses) orientou civis a procurar abrigos. A CNN noticiou que os Estados Unidos planejam operações que podem se estender por dias.
A resposta internacional foi rápida e marcada por condenações de peso: Moscou qualificou a ação como “uma agressão imotivada” contra o Irã, enquanto Pequim considerou as ações americanas irresponsáveis e fator de incerteza para a estabilidade global.
No plano europeu, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni convocou reunião com o vice-premier e com o ministro da Defesa, Guido Crosetto. Do Palazzo Chigi veio uma nota afirmando que a Itália se mostra próxima ao povo iraniano em sua demanda por respeito aos direitos fundamentais. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, advertiu: “Não há otimismo quanto aos prazos de guerra”.
Esta escalada não é apenas um incidente isolado: representa um redesenho de fronteiras invisíveis na tectônica de poder regional. Como em um lance de xadrez de alto nível, as peças foram movidas com precisão e risco calculado — agressões preventivas, retaliações estratégicas e chamadas públicas que buscam moldar legitimidade política interna e externa. A operação “Leone ruggente” e a resposta iraniana abrem um novo capítulo em que a estabilidade depende da gestão diplomática dos alicerces frágeis da ordem internacional.
O desfecho imediato permanece incerto. As próximas jogadas serão determinantes para evitar uma conflagração mais ampla: diplomacia ativa, pressões multilaterais e canais de comunicação entre potências podem, se acionados com rigor e prudência, conter a expansão do conflito. Do contrário, corremos o risco de uma erosão mais profunda da arquitetura de segurança regional, com repercussões globais.
Espresso Italia — Análise de Marco Severini. Informação em desenvolvimento.






















