Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: um tram da linha 9 descarrilou ontem em Milão, em viale Vittorio Veneto, provocando duas mortes e cerca de 50 feridos. A cena, ainda isolada por fitas, recebeu nesta manhã dois arranjos de flores brancas com um bilhete assinado “Il cordoglio di Atm”, depositados ao lado do ponto do acidente. Um cidadão deixou também uma gerbera branca sobre o grande árvore contra a qual o veículo colidiu.
As vítimas identificadas até o momento são Ferdinando Favia, 59 anos, e Abdoul Karim Touré, 56 anos. No total, aproximadamente 50 pessoas ficaram feridas; duas permanecem internadas em Rianimazione no Policlinico de Milão e uma está em observação. Os demais pacientes já receberam alta.
A Procuradoria de Milão abriu investigação para apurar as causas do acidente. Entre as linhas de investigação está o funcionamento do sistema ‘homem morto’ instalado no veículo e de outro dispositivo denominado “sorvegliante”, projetado para bloquear o tram se não detectar movimento ativo do condutor por 30 segundos. Os peritos deverão verificar se esses mecanismos funcionaram corretamente e, caso não, identificar as razões técnicas ou operacionais da falha.
O condutor, um motorista experiente e próximo da aposentadoria, foi conduzido ao Policlinico em condição inicialmente classificada como código verde e permanece sob observação para exames adicionais. Segundo depoimentos colhidos pela Polizia Locale, o profissional afirmou ter tido um mal súbito antes de perder o controle do veículo — relato que será confrontado com imagens e dados técnicos. Os pré-testes para álcool e drogas realizados ainda no hospital tiveram resultado negativo.
Foram apreendidas as imagens das câmeras internas do tram. Esses registros serão elementos centrais para a reconstrução precisa da dinâmica do acidente, permitindo checar a hipótese do mal-estar do condutor, a atuação dos dispositivos de segurança e a velocidade do veículo instantes antes de sair dos trilhos e colidir violentamente contra uma árvore e depois contra a fachada de um edifício, atingindo também a vitrine de um restaurante japonês nas proximidades dos jardins Montanelli, em Porta Venezia.
A promotora de Milão Elisa Calanducci, em coordenação com o procurador Marcello Viola, aguarda os laudos da Polizia Locale para formalizar atos no inquérito por homicídio culposo e lesões culposas. As autópsias das duas vítimas foram determinadas; as datas ainda não foram fixadas pelas autoridades.
Do ponto de vista processual, o condutor ainda não consta formalmente como indiciado; fontes da investigação explicam que a inscrição no registro dos investigados pode ocorrer como medida de garantia, necessária para viabilizar diligências técnicas e periciais sem comprometer a apuração dos fatos.
Testemunhas descrevem o veículo saindo dos trilhos “com a velocidade de um míssil”, expressão que ilustra a violência do impacto e que será referenciada pelas perícias ao cruzar a telemetria do veículo, imagens de bordo e relatos oculares. A investigação técnica deverá esclarecer velocidade, condições dos freios, atuação dos sistemas de segurança e eventuais fatores médicos que afetaram a capacidade do condutor.
Este é o fato bruto: duas mortes confirmadas, dezenas de feridos, um condutor que relatou mal-estar, dispositivos de segurança a serem verificados e um processo judicial em curso para determinar responsabilidades. A reportagem seguirá acompanhando as atualizações oficiais — com foco na verificação de provas, consultoria técnica e checagem de laudos — para entregar a realidade traduzida sem ruídos.





















