Por Giulliano Martini — Apuração em campo e cruzamento de fontes
O setor de logística italiano está em plena transformação e deve ultrapassar a marca de 117 bilhões de euros até 2026. A mudança não é apenas tecnológica: é estrutural. Segundo a experiência acumulada pela Oikyweb — empresa com mais de 25 anos em serviços integrados de gestão e home delivery — o setor evoluirá da logística de reação para uma logística de antecipação, sustentada por três pilares estratégicos e operacionais.
1. Hiper-automação e armazém inteligente
O primeiro pilar é a consolidação do armazém como um ecosistema integrado e inteligente. Estimativas apontam que a adoção de inteligência artificial (IA) saltará dos atuais 24% para mais de 60% em curto prazo. Robótica e automação reduzirão o esforço humano em operações de handling, diminuindo danos a produtos e desgastes físicos dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, a IA permitirá o processamento de volumes massivos de dados com precisão elevada.
Contudo, a variável crítica não é a tecnologia em si, mas a qualidade dos dados: sistemas genéricos trazem ganhos limitados e, em alguns casos, efeitos negativos. A vantagem competitiva estará com quem souber tratar e higienizar os dados para customizar aplicações, integrando sensores, WMS e análises preditivas que suportem decisões operacionais em tempo real.
2. Sustentabilidade substancial e transparência
O segundo pilar corrige um vício histórico: o rótulo de “logística verde” frequentemente funcionou como peça de marketing ou compliance burocrático. A tendência é que a sustentabilidade deixe de ser um selo e passe a ser um requisito operacional inadiável. Instrumentos como o passaporte digital do produto e a rastreabilidade por blockchain (entre outras soluções igualmente eficazes e mais leves) tornarão os fluxos mais transparentes e verificáveis.
A Oikyweb, com foco em ética e redução de impacto ambiental, já prioriza o redesenho de rotas, consolidação de cargas e modalidades que minimizem emissões, traduzindo compromisso ambiental em eficiência operacional.
3. Proximidade ao cliente final
O terceiro pilar é a capacidade de se aproximar do cliente final não apenas fisicamente, mas por meio de serviços capazes de antecipar necessidades. A proximidade ao cliente final exigirá integração entre logística urbana, pontos de cross-docking e sistemas de previsão de demanda que alimentem operações de última milha com precisão.
Essa mudança impõe requisitos de governança e métricas que vão além de prazos de entrega — envolve experiência, previsibilidade e comunicação em tempo real, com indicadores que medem não só custo, mas qualidade de serviço e impacto ambiental.
Raio-x e conclusão
O caminho à frente é claro: só haverá ganhos sustentáveis se empresas combinarem hiper-automação, sustentabilidade substancial e foco na proximidade ao cliente final, suportados por dados de qualidade. A tecnologia — IA, robótica, blockchain — é condição necessária, não suficiente. A verdadeira transformação dependerá de estratégia, qualidade de dado e governança operacional.
Para o mercado italiano, a aposta é que essa tríade convergente impulsione receita e eficiência, elevando o setor a níveis que justificam a projeção de €117 bilhões até 2026. O impacto será sentido em toda a cadeia: operadores logísticos, varejistas, indústria e consumidores finais.
Apuração, cruzamento de fontes e verificação em campo ilustram que a transição já começou. Resta ao setor transformar intenção em prática mensurável.






















