Por Chiara Lombardi — Em uma espécie de flash de bastidores que virou cena pública, Carlo Conti interveio para dissipar o que chamou de “pequeno equivoco” após o desabafo do ator Alessandro Gassmann nas redes sociais. Gassmann havia reagido à participação de Gianni Morandi em um dueto no palco do Ariston, e reclamado que a Rai teria negado a presença de parentes durante a apresentação. A resposta de Conti, dada durante a conferência de imprensa da quinta noite do festival, é um convite a ler o roteiro além das manchetes.
Conti explicou que, nesta edição, houve a opção de limitar convites — uma decisão ligada à grande quantidade de fiction envolvidas no evento. Segundo ele, “este ano escolhemos não hospedar” determinadas presenças, observando a coincidência de muitas produções televisivas (nenhuma da Rai) e a decisão, contrária à sua preferência, de aumentar os espaços institucionais da emissora. O apresentador também lembrou que situações semelhantes já ocorreram no passado, citando o caso com Luca Argentero.
Importante: o regulamento do festival não impede, de forma geral, que familiares subam ao palco. Conti trouxe exemplos práticos — a filha de Raf e a irmã da Brancale — para reafirmar que não há um bloqueio automático a parentes. E foi direto ao ponto: se Alessandro tivesse desejado fazer um dueto com Leo (seu filho cantor), ele teria “dito sim” imediatamente, destacando que se trata de “uma família que está demonstrando todo o seu valor”.
O episódio funciona como um pequeno espelho do nosso tempo: a tensão entre normas de produção e as expectativas afetivas do público e dos artistas cria microcrises que se amplificam nas redes — um verdadeiro roteiro oculto da sociedade, onde cada reação é um take que pode virar manchete. Conti posiciona-se como diretor de cena institucional, tentando recolocar as peças no tabuleiro sem apagar as emoções legítimas que motivaram a manifestação de Gassmann.
Do ponto de vista cultural, é intrigante observar como o palco do Ariston continua a ser um cenógrafo de memórias coletivas — onde laços familiares, legado artístico e estratégia televisiva se encontram numa coreografia nem sempre previsível. A polêmica expõe também a semiótica do viral: uma observação feita por um ator nas redes pode ativar debates sobre transparência editorial, critérios de curadoria e, acima de tudo, sobre o valor simbólico das famílias artísticas no espetáculo público.
Em resumo: Conti tentou transformar uma cena de incompreensão em um corte limpo — um esclarecimento que mantém os fatos e, ao mesmo tempo, preserva a dignidade das relações. A conclusão é direta e quase cinematográfica: não houve qualquer proibição formal a parentes no palco; houve sim decisões editoriais e de produção que, porventura, geraram ruído. Resta ver como a próxima tomada será filmada, e se o público aceitará esse reframe da realidade com a elegância de quem assiste a um bom filme.






















