Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, de forma abrupta, a geografia da influência no Oriente Médio, Israel anunciou neste sábado uma operação coordenada com os Estados Unidos contra o Irã. A ação resultou em duas ondas de lançamento de mísseis iranianos sobre o território israelense, sirenes por todo o país e fortes explosões ouvidas em centros urbanos como Jerusalém e Tel Aviv.
O primeiro pronunciamento do premiê Benjamin Netanyahu, difundido em vídeo na plataforma X, qualificou a operação como necessária para “remover a ameaça existencial representada pelo regime que descreveu como terrorista”. A linguagem é a de um Estado que, sentindo-se ameaçado em sua sobrevivência, move uma peça decisiva no tabuleiro estratégico.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que mobilizaram cerca de 70.000 reservistas — um aumento que soma aproximadamente 20.000 convocados às cerca de 50.000 já em serviço. Segundo os comunicados militares, dezenas de alvos militares no Irã foram atingidos na fase inicial da operação, parte de uma “grande e potente ação conjunta” cujo objetivo declarado é eliminar capacidades que, na visão israelense, ameaçam a existência do país.
Em Tel Aviv e demais cidades, a população foi orientada a procurar abrigo. Ao menos duas pessoas ficaram feridas no norte de Israel. O Estado reagiu com medidas internas drásticas: o ministro dos Transportes, Miri Regev, ordenou o fechamento do espaço aéreo civil; o ministro da Defesa, Israel Katz, declarou um estado de emergência imediato em todo o território. Foram impostas restrições abrangentes — proibição de aglomerações, suspensão das aulas e paralisação de atividades econômicas, com exceção dos serviços essenciais.
Do lado iraniano, a resposta foi imediata e em duas frentes de mísseis. Relatos oficiais e fontes estrangeiras divergem quanto ao impacto preciso nos níveis superiores do comando teocrático: segundo informações citadas por Axios, alvos incluíam a figura da Guida Suprema, Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian. A agência estatal IRNA afirmou que Pezeshkian está “são e salvo”, e uma fonte iraniana indicou que Khamenei foi transferido para uma localidade considerada segura.
As acusações israelenses narram uma continuidade do programa iraniano — retomada e blindagem de capacidades nucleares e de mísseis, além do financiamento e armamento de grupos hostis nas imediações das fronteiras israelenses. Para a liderança de Israel, essas atividades constituem não só um perigo regional, mas uma falha nos alicerces da estabilidade global.
Do ponto de vista estratégico, assistimos a um movimento de tectônica de poder: uma potência regional (Irã) e um ator estatal (Israel), com o apoio de um patrocinador externo de primeira linha (EUA), executam-se golpes táticos que podem reconfigurar alianças e linhas de confrontação. A situação permanece volátil; a mobilização de reservistas, o fechamento do espaço aéreo e a declaração de estado de emergência evidenciam que estamos diante de um momento de decisão no tabuleiro geopolítico.
Enquanto as sirenes continuam a marcar a tensão diária e as autoridades monitoram resposta e desdobramentos, cabe à diplomacia multilaterais buscar meios de contensão — uma tarefa que, no atual cenário, exige precisão de xadrez e firmeza diplomática.






















