Por Alessandro Vittorio Romano — Em Milão, a edição 2026 do HivLab Lombardia reuniu hoje representantes das instituições regionais, do meio acadêmico e dos principais centros clínicos da Lombardia para um diálogo profundo sobre a evolução dos modelos organizacionais e assistenciais na gestão do HIV. O encontro faz parte de um percurso regional de fortalecimento da tomada em carga dos pacientes, alinhado ao Piano nazionale Aids e às diretrizes europeias e internacionais.
Ao longo do dia, ficou clara a urgência de consolidar o diagnóstico precoce e o screening como ferramentas de saúde pública prioritárias. São esses instrumentos que permitem trazer à superfície os casos ocultos, reduzir a transmissão e fortalecer os trajetos de prevenção — como se estivéssemos irrigando, com atenção e dados, as raízes de um jardim que precisa florescer em todas as regiões da Lombardia.
Os participantes destacaram, igualmente, problemas ainda persistentes: diagnósticos tardios, fragmentação dos percursos assistenciais, heterogeneidade territorial e desafios de adesão terapêutica. Essas lacunas impedem que a respiração do sistema de saúde se torne uniforme, criando bolsões onde o cuidado não chega com a mesma intensidade.
A abertura dos trabalhos foi conduzida por Davide Croce, diretor do CREMS — Centro de ricerca in economia e management in sanità e nel sociale, que trouxe uma análise de cenário sobre o contexto estratégico regional. Entre os cumprimentos institucionais, esteve presente Emanuele Monti, presidente da IX Comissão Sostenibilità sociale, casa e famiglia da Regione Lombardia e membro do Executive Board da Agenzia italiana del farmaco (AIFA).
A mesa-redonda contou com amplo painel de especialistas das principais realidades clínicas e acadêmicas da região. O debate evidenciou a importância de um modelo integrado que combine prevenção, diagnóstico, tratamento e monitoramento, valorizando os dados clínico-organizativos para orientar decisões programáticas. Assim, busca-se garantir equidade de acesso às terapias inovadoras em todo o território, transformando conhecimento em cuidados efetivos.
HivLab Lombardia reafirma-se, portanto, como um laboratório de análise e proposta: um espaço onde o diálogo entre instituições e profissionais pode se traduzir em diretrizes operacionais concretas para a evolução do sistema de gestão do HIV na região. Como um mapa compartilhado, o encontro pretende conectar estradas de cuidado, evitando troços interrompidos e promovendo trajetos contínuos para quem precisa.
Na minha observação — nutrida pela atenção ao clima das cidades e aos ritmos humanos — trata-se de harmonizar o tempo externo das políticas com o tempo interno do corpo das pessoas. Quando o sistema aprende a escutar sinais precoces e organiza caminhos uniformes, a comunidade inteira respira melhor. A próxima colheita será medir resultados: menos casos não diagnosticados, adesão terapêutica mais estável e acesso equitativo às inovações farmacológicas.
Os organizadores destacam que os próximos passos passarão por traduzir as propostas do encontro em linhas de ação práticas, com indicadores claros e governança capaz de equilibrar qualidade e sustentabilidade. É um convite para que a Lombardia construa uma paisagem de cuidado mais coesa — onde prevenção e tratamento caminhem lado a lado, como estações que se revezam e se completam.





















