Em dias em que se celebra o Dia Mundial das Doenças Raras, chega de Pisa uma notícia que é ao mesmo tempo técnica e profundamente humana: uma mulher de 40 anos, conhecida pelo nome fictício de Lucia, portadora de uma forma extremamente rara e grave de hipercolesterolemia familiar homozigótica, tornou-se mãe de um bebê saudável.
Os primeiros sinais da doença apareceram quando Lucia tinha apenas 19 anos. Desde os 24, ela é acompanhada pelo centro de aférese de lipoproteínas de Monasterio — referência regional para o diagnóstico e tratamento das dislipidemias hereditárias — ligado ao hospital San Cataldo-Cnr. O centro, chefiado pelo professor Michele Emdin, aplicou a técnica conhecida como lipoprotein-aferese, um procedimento semelhante a uma diálise que remove do sangue as lipoproteínas responsáveis pela formação da aterosclerose.
A terapia, realizada a cada duas semanas, reduz de forma drástica os níveis de colesterol e favorece a regressão dos depósitos arteriais. Graças a esse acompanhamento especializado e à continuidade do tratamento ao longo dos anos, Lucia conseguiu concretizar o sonho de ser mãe, contrariando as dificuldades impostas por uma condição que afeta cerca de um caso em um milhão.
Esta história não é apenas uma vitória individual: é uma pequena colheita no terreno da medicina aplicada ao cotidiano, onde a respiração da cidade e o tempo interno do corpo se encontram. Com cada sessão de aférese, os médicos do centro ajudaram a podar os riscos cardiovasculares que a doença impõe, permitindo que a gestação seguisse até o nascimento de uma criança sem sinais aparentes da condição hereditária.
O caso de Lucia ilustra o papel de centros especializados que, como jardins bem cuidados, preservam a esperança e transformam práticas complexas em vida diária. Apesar da gravidade da hipercolesterolemia familiar homozigótica — doença genética que eleva os níveis de colesterol desde muito cedo e aumenta consideravelmente o risco de eventos cardiovasculares precoces —, o acompanhamento multidisciplinar mostrou-se decisivo.
Para quem vive sob a sombra de uma doença rara, a experiência de Lucia lembra que o corpo e a paisagem que o rodeia podem ser tratados com sensibilidade: a aférese reduz os acúmulos que ameaçam o fluxo vital, enquanto o apoio clínico e emocional tece as raízes do bem-estar. O nascimento deste bebê saudável em Pisa é, portanto, um pequeno farol para outras famílias e um convite para valorizar centros de referência e pesquisas que aproximam tecnologia e cuidado humano.
O caso será certamente lembrado nas celebrações e reflexões relacionadas ao Dia Mundial das Doenças Raras, incentivando diálogo, prevenção e acompanhamento especializado para aqueles que carregam doenças genéticas raras.






















