Por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia
Na pequena coreografia das rotinas hospitalares de Asti, uma novidade delicada entrou em cena: a hipnose clínica foi oficialmente incorporada como terapia complementar na rede de cuidados paliativos da Asl di Asti. A medida abre uma janela sensível sobre como ouvir o corpo em final de percurso — o seu tempo interno — e buscar maneiras menos invasivas de aliviar a dor e o sofrimento.
Quem vem conduzindo esse trabalho é a enfermeira Valeria Bossotti, profissional qualificada que levou adiante uma tese envolvendo pacientes atendidos na assistência domiciliar integrada da Unidade Operativa de Cure Palliative da ASL At. Foi também graças à generosidade da família Nicchi que o espaço destinado às sessões ganhou uma poltrona reclinável, um gesto que transforma um ambiente clínico em um refúgio mais acolhedor para as práticas de relaxamento e comunicação hipnótica.
O doutor Francesco Pinta, responsável pela estrutura, explica com a serenidade de quem observa as estações da vida: “Nas cure palliative é essencial valorizar as habilidades residuais do paciente, mesmo quando a paisagem muda rapidamente nas fases avançadas da doença. A hipnose e a comunicação hipnótica são instrumentos que o enfermeiro formado pode usar para auxiliar o paciente no manejo de sintomas como ansiedade, insonia, irritabilidade, depressão, fadiga, dor crônica, dispneia, tosse e náusea, além dos efeitos colaterais de algumas terapias”.
Os relatos dos pacientes têm sido um mapa sensível: após as sessões, muitos descrevem uma diminuição do sofrimento e do nível de dor, como se a respiração da cidade tivesse acalmado por alguns instantes o tumulto interno. Não se trata de um milagre instantâneo, mas de uma ferramenta complementar que respeita os ciclos do corpo e da mente, oferecendo um espaço onde a presença cuidadosa e a voz orientada podem redesenhar a percepção do desconforto.
Na prática, a introdução da hipnose clínica funciona como uma colheita de hábitos compassivos — pequenas intervenções que, somadas, oferecem qualidade de vida. A abordagem valoriza a escuta, promovendo técnicas de foco atencional, relaxamento e imagens mentais guiadas que ajudam a modular a experiência do corpo enfermo, sem substituir os tratamentos farmacológicos, mas somando-se a eles.
Enquanto a estação da doença segue seu curso, iniciativas como esta lembram que o cuidado é também uma paisagem construída com delicadeza: uma poltrona doada, uma enfermeira dedicada, um método que respeita o ritmo do paciente. Na sinfonia dos cuidados paliativos, a hipnose clínica surge como uma corda a mais, afinando o instrumento da compaixão.
Para quem acompanha a vida de hospitais e comunidades, é com esse olhar — atento e humano — que seguimos registrando como práticas integrativas podem transformar o modo como vivemos os últimos capítulos, conferindo amparo e presença onde antes havia apenas técnica.






















