Por Chiara Lombardi — Em um cenário onde a comédia funciona como espelho do nosso tempo, o talento do Ubaldo Pantani volta a se destacar com a mesma precisão de um ator que encara um close definitivo. O imitador — apontado por muitos como o mais habilidoso da Itália — retornou às origens para trabalhar novamente com a Gialappa’s Band, agora em produções exibidas na TV8.
O reencontro não é apenas um retorno técnico: é um reframe da carreira. Foi com a Gialappa’s Band que Pantani iniciou sua trajetória, e essa volta ressoa como um roteiro que se fecha e recomeça ao mesmo tempo. No palco e nas esquetes, ele dá vida a personagens que já fazem parte do imaginário público — entre eles Lapo Elkann, Massimo Giletti, Flavio Insinna, Mario Giordano e Matteo Salvini. Cada imitação funciona como uma lente, revelando camadas de comportamento e discurso político que, por vezes, passam despercebidas no dia a dia.
Entre as novidades que Pantani apresenta está uma versão inédita de “Tentescion Ailand” nas mãos do interprete de Filippo Bisciglia, uma reinterpretação que mistura timing cômico e observação social. Outro quadro que tem arrancado risos é “4 Funerali”, no qual Pantani encarna Flavio Insinna em um exercício de sátira que dialoga com a televisão de massa: a paródia se transforma em comentário cultural.
Sobre o retorno, Pantani definiu a química com a equipe de forma direta: “Eles sabem escolher os atores e amalgamá-los no contexto certo. Eu trabalho com eles desde sempre e é uma honra que se renova a cada vez.” A frase, simples, diz muito sobre a natureza colectiva do humor: a montagem, a escolha dos rostos e o encaixe do timing são elementos de um roteiro oculto da sociedade que a comédia — quando bem feita — é capaz de revelar.
O talento de Ubaldo Pantani tem sido determinante para a consolidação de figuras e gags na cultura popular recente. Suas imitações não se limitam à caricatura; elas oferecem um comentário quase antropológico sobre como figuras públicas constroem identidades socialmente performadas. Assim, a imitação funciona tanto como entretenimento quanto como documento: uma semiótica do viral que registra o nosso tempo.
Assistir a Pantani hoje é também perceber o quanto o humor italiano se transforma, preservando tradições de sátira com novas linguagens midiáticas. A parceria renovada com a Gialappa’s Band e a exposição na TV8 reintroduzem suas vozes ao público, numa espécie de eco cultural que reafirma: em tempos de ruído, a imitação continua sendo uma forma de escuta aguçada.
Atualizado em 26 de fevereiro de 2026.






















