Sou Francesca Montelupo, e recebo você à nossa mesa onde as conversas sobre comida se entrelaçam com memórias de família e saberes da terra. Hoje trago uma história que mistura palcos, televisão e o incômodo zelo com que tratamos o corpo: a jornalista romana Francesca Fagnani, conhecida por sua presença sóbria e contundente, voltou ao centro de um debate público ao ser associada à berberina durante uma conversa em TV.
Do palco de Sanremo ao cotidiano: um estilo de vida, não uma punição
Na quarta noite do Festival de Sanremo 2026, Francesca Fagnani sobe ao palco como convidada especial para um dueto com Fulminacci. Quem a conhece sabe: não se trata apenas de um rosto, mas de uma postura que transforma entretenimento em relato. Fora das luzes, ela vive um princípio simples — nada de regimes punitivos ou obsessões detox. Sua forma física é fruto de equilíbrio, atenção à alimentação e movimento constante, entre a academia e o yoga. Ama a cozinha tradicional, dos pratos de montanha aos doces que lembram avós; não renuncia a pão, massa ou um doce, desde que a moderação conduza.
A menção à berberina e a reação nas redes
Em uma entrevista com Maria De Filippi no ano passado, Fagnani mencionou, de modo coloquial, a berberina — um suplemento frequentemente associado ao controlo do colesterol. A referência, ainda que irônica, acendeu discussões nas redes sociais sobre a legitimidade de citar produtos ligados à saúde em horários nobres. As reações mostraram que a plateia contemporânea exige precisão e responsabilidade quando o tema é bem-estar.
O que é a berberina? Um olhar científico com tempero de cautela
Para compreender melhor, consultamos o biólogo-nutricionista e divulgador científico Mattia Pieri. Ele explica que a berberina é uma molécula extraída de plantas como o crespino (Berberis vulgaris), classificada como nutracêutico e não como fármaco. Estudos indicam que ela pode melhorar a sensibilidade à insulina e modular o metabolismo lipídico, produzindo reduções moderadas do LDL e dos triglicerídeos, especialmente em quem tem resistência insulínica ou síndrome metabólica. Mas atenção: os efeitos são modestos, variáveis e dependem de extratos padronizados — não da presença da planta no alimento.
Em termos práticos, a berberina é uma molécula interessante, não uma poção milagrosa. Inserida num caminho nutricional bem conduzido, pode ser uma peça útil; isolada, corre o risco de dar voz a falsas certezas. E como na cozinha, onde um ingrediente só revela sua alma quando combinado com bons ingredientes e tempo, os suplementos precisam ser avaliados no contexto clínico, com aconselhamento profissional.
Conclusão: conversar com cautela e responsabilidade
A controvérsia em torno da citação da berberina por Francesca Fagnani não é só sobre um nome mencionado num programa de televisão; é sobre como falamos de saúde em espaços públicos. A recomendação de especialistas é clara: informar com precisão, evitar promessas e sempre encaminhar para avaliação médica ou nutricional antes de iniciar qualquer suplementação.
Como guardiã de tradições culinárias, acredito que devemos apurar as ideias como um molho que cozinha lentamente — com paciência e respeito pelo tempo. A mesa é lugar de aliança entre saber e prazer; e, para além do brilho dos holofotes, o cuidado diário com a alimentação e o equilíbrio é o que realmente constrói saúde duradoura.
Fonte das informações: entrevista com especialistas e registros do episódio televisivo.






















