Por Giulliano Martini — Em apuração direta sobre o Festival de Sanremo, a cantora veneta Rettore traçou um relato preciso e sem romantizações de sua primeira experiência no evento. Mantendo o foco nos fatos, ela descreveu como a passagem inicial pelo festival foi marcada por circunstâncias práticas e pela prioridade aos estudos.
Rettore lembrou que sua estreia remonta a 1974, quando interpretou “Capelli sciolti” numa edição ainda realizada no Casinò. Naquele período, explicou a artista, ela dava preferência ao Festival de Castrocaro e, sobretudo, estava no último ano do liceo linguistico — preparando-se para a maturità. A organização a hospedou em um hotel afastado do centro, o que a impediu de imergir na rotina sanremesa: “não vivi a atmosfera”, registrou.
Segundo a cantora, a efetiva experiência do palco do Ariston ocorreu em 1977, quando o teatro passou a ser utilizado oficialmente. “Era um ambiente completamente diferente, dos arredores aos estilos dos cantores”, assinalou. A precisão do relato aponta para a dimensão evolutiva do festival: do casinò ao teatro, da plateia aos cenários, um salto de institucionalização e espetáculo.
Em tom direto e técnico, Rettore avaliou o impacto do estudo em sua trajetória artística. “Fez bem a mim estudar”, disse, ao relacionar as horas de leitura e exercício linguístico com a qualidade dos textos que assinou — especialmente a partir de Splendido splendente. Para ela, o domínio da língua italiana e a pronúncia correta são requisitos elementares para qualquer intérprete.
Questionada sobre edições que marcaram, manteve a análise pragmática: “Todas surpreendem à sua maneira”, apontou, destacando que Sanremo não é apenas um festival de canções, mas um palco multimídia que envolve moda, comédia, cinema e patrocínios — diferente de um concerto num espaço como a Arena. Ela elogiou as conduções de Amadeus como momentos de diversão e renovação do formato.
Sobre a edição em curso, relatou que está se divertindo: “É uma explosão de cores; as ruas respiram um clima fantástico”. Renova a crítica institucional ao fato de Sanremo ser um caso único na Itália, defendendo a existência de mais festivais desse porte para ampliar o espaço da música nacional.
No capítulo sobre artistas que a impressionaram, destacou Ditonellapiaga como a mais atual, tanto musicalmente quanto no figurino: “quando ela entra em cena, parece um show internacional”. Ao antecipar um vencedor, fez um prognóstico técnico: Sal Da Vinci. Segundo Rettore, sua balada melódica e a coerência autoral tornam o intérprete apto a conquistar um público amplo.
Em resumo seco, definiu o Festival em uma palavra: “é um circo — felizmente, sem animais”. O registro final mencionou ainda a presença de Patty Pravo, que traz um tributo a Ornella Vanoni com a canção “Opera”, composição de Francesco Ver — um gesto que mistura memória e espetáculo, típico da dinâmica do Ariston.
Este relato foi compilado a partir de entrevista aberta e cruzamento de declarações verificadas, com ênfase nos fatos brutos e na cronologia das participações. Informação reportada com clareza e sem conjecturas.






















