Hoje, no Dia Mundial do Urso Polar, acendemos uma luz sobre um dos símbolos mais eloquentes do nosso planeta em transformação. As datas que enchem o calendário servem para lembrar rostos e vozes — do cão ao gato, da esterilização ao animal selvagem em risco — mas poucas espécies traduzem tão bem a urgência das nossas escolhas como o urso polar. Ele é o emblema gelado do Ártico, o imperador dos blocos de gelo. E, ainda assim, está em declínio.
Estudos recentes, com foco nas ilhas Svalbard e em toda a faixa circumpolar, mostram que as populações que antes se conectavam por um tapete branco de gelo agora estão cada vez mais isoladas por longos trechos de mar livre. O descolamento do gelo marinho rompe corredores naturais, reduz a capacidade de caça dos ursos e obriga mudanças comportamentais: animais que dependiam de focas no mar estão agora experimentando dietas terrestres, buscando alternativas alimentares onde antes havia apenas neve e silêncio.
Esse fenómeno não é apenas ecológico; é também geopolítico. À medida que o gelo recua, ganham fôlego interesses comerciais e estratégicos em torno da Groenlândia e de outras áreas do Ártico. A exposição de novas rotas e recursos traz à tona debates sobre soberania e exploração, e frequentemente subordina a proteção ambiental a agendas nacionais e econômicas de curto prazo.
Enquanto isso, a política contemporânea — por vezes seduzida por discursos populistas e pelo imediatismo — mostra-se pouco interessada em medidas sólidas pela conservação e pela biodiversidade. É por isso que vozes independentes e iniciativas da sociedade civil são fundamentais. A associação Eumans, liderada por Marco Cappato, lançou a campanha “Stop hunting the polar bear” para lembrar que, além das mudanças climáticas, práticas humanas como a caça e a pressão direta sobre populações locais aumentam o risco já imposto pelo colapso do habitat.
Precisamos, portanto, de uma resposta multifacetada: políticas climáticas que reduzam emissões e limitem o aquecimento global; áreas marinhas protegidas que preservem rotas de caça e reprodução; acordos internacionais que restrinjam a exploração predatória do Ártico; e programas de pesquisa e monitoramento que acompanhem a saúde das populações de urso polar e a qualidade de seu habitat.
Mas não se trata apenas de tecnocracia. Trata-se de ética contemporânea, de legado, de escolher que tipo de mundo vamos iluminar para as próximas gerações. É momento de semear inovação nas políticas públicas, de tecer laços entre comunidades indígenas, cientistas e governos, e de sustentar práticas que favoreçam a resiliência dos ecossistemas.
Como curadora de causas e contadora de soluções, convido a um gesto simples e potente: alçar a voz. Apoie campanhas de conservação, assine petições que protejam habitats, pressione representantes para políticas climáticas ambiciosas e compartilhe conhecimento. Gestos individuais somados tornam-se clarões numa noite: revelam novos caminhos e iluminam horizontes.
O urso polar não é apenas uma espécie emblemática. É um termômetro do mundo que estamos construindo. Proteger o Ártico é cultivar um futuro onde a natureza e a humanidade prosperam em conjunto — um renascimento cultural e ambiental que exige ação agora.
— Aurora Bellini, Espresso Italia






















