Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha provisoriamente o tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, forças de Israel e dos Estados Unidos desencadearam um ataque preventivo contra alvos estratégicos do Irã. Fontes internacionais de imprensa e agências consultadas indicam que os raids visaram uma ampla gama de infraestruturas militares — estações de radar, arsenais de lançamento de mísseis, centros de comando vinculados aos Guardiões da Revolução (Pasdaran) e outras instalações de caráter estratégico.
Reportagens do New York Times e da CNN confirmaram a participação massiva das forças armadas dos Estados Unidos na operação, que, segundo fontes israelenses, teria uma fase inicial programada para durar cerca de quatro dias. Autoridades do regime iraniano, por sua vez, afirmaram que a Guia Suprema, Ali Khamenei, não se encontrava em Teerã no momento dos ataques e teria sido transferido para um bunker subterrâneo de alto segredo.
O cenário montado pelas potências lembra um movimento calculado em um jogo de xadrez estratégico: busca-se, de forma concentrada, neutralizar a peça mais perigosa do adversário — os meios de ataque — antes que estes possam ser usados em maior escala. Fontes do Pentágono citadas pelo NYT descrevem a operação atual como mais extensa do que o ataque que, em junho, atingiu instalações do programa nuclear iraniano.
Nos últimos dias, Washington posicionou uma expressiva força naval e aérea entre o Mediterrâneo oriental e o Golfo Pérsico — incluindo porta-aviões, grupos de apoio e uma esquadra de escoltas — em um claro esforço de projeção de poder e contenção. Analistas militares consultados sublinham que o objetivo primário foi destruir o máximo possível de lançadores de mísseis e redes de radar iranianas, reduzindo a capacidade de retaliação imediata de Teerã.
Uma preocupação explícita das forças americanas foi a preservação dos sistemas de defesa antimísseis, em particular os interceptores THAAD, cuja utilização intensiva em confrontos anteriores (como na chamada guerra dos 12 dias, em junho) teria consumido estoques e reduzido a “profundidade de magazzino” — ou seja, as reservas logísticas disponíveis para continuidade das interceptações.
Nos bastidores, a intenção declarada por vozes que apoiam a operação vai além do efeito militar imediato: trata-se de apontar para um desmantelamento da capacidade do regime teocrático que, nos últimos quarenta anos, transformou a arcabouço político e social do país. Há especulação de que a pressão externa combinada com impactos internos poderia levar a rupturas políticas ou ao fortalecimento de correntes “moderadas” e das forças armadas regulares, historicamente nem sempre completamente subordinadas aos clérigos.
É essencial, contudo, manter distinções entre um objetivo estratégico declarado e desfechos incertos. Um ataque dessa magnitude pode tanto catalisar um impulso de contestação interna quanto galvanizar setores do regime. A tectônica de poder na região permanece volátil: cada ação militar é um movimento decisivo no tabuleiro que redesenha, por ora, linhas de influência e contingências diplomáticas.
Enquanto novas informações emergem, a leitura cuidadosa dos fatos exige cautela analítica e atenção à cronologia dos eventos. A operação conjunta EUA‑Israel representa um ponto de inflexão — e, como em qualquer jogada bem calculada, o verdadeiro alcance de seus efeitos só se verá nas próximas semanas.






















