Ao chegar ao ponto de virada da 76ª edição do Festival de Sanremo, o jogo paralelo do público — FantaSanremo — também entra em seu momento decisivo, com as duas últimas noites definidoras pela frente: a serata das cover e a grande final. Após a terceira noite, a classificação geral continua nas mãos de LDA e Aka7even, que somam 375 pontos e seguram a posição de favoritismo no ranking do fantasy game.
No pódio geral, na esteira dos líderes, figura Dargen D’Amico com 260 pontos, seguido por Leo Gassmann com 250 — resultado de um sorpasso que o afastou momentaneamente das Bambole di Pezza, agora na quarta posição com 245 pontos. Esses números contam uma narrativa coletiva: mais que contagem, são pequenos espelhos do gosto do público e da cultura pop que se refrata a cada performance no Ariston.
A terceira serata foi conquistada por Samurai Jay, que garantiu 125 pontos aos seus fantallenadores. O detalhamento do placar revela a gramática do espetáculo e dos bônus que movimentam o Fanta: 10 pontos pela presença de bailarinos, 15 pela participação de Belen como performer, 10 pela standing ovation parcial, 5 pela apresentação feita pelo co-apresentador, 10 pelo item vermelho (Bonus Arredissima), 10 por não tocar no microfone nos primeiros 30 segundos (Bonus Bancomat), 10 pela foto com a tazza FantaSanremo (Bonus Rai Radio 2), 10 por um acessório ou peça amarela (Bonus Avis), 10 pelo microfone posicionado sob a axila e 5 por cantar com a mão no bolso. A pontuação recebeu ainda o impulso do diretor de orquestra Enzo Campagnoli: 10 pontos pelo papillon e 20 pelo icônico “Pronti, partenza, via!” antes do início da canção.
Em segundo lugar na classificação da noite ficou Sal Da Vinci com 110 pontos. Seu placar combinou elementos tradicionais e momentâneos: top five (+20, Bonus Chanteclair), standing ovation total do Ariston (+20), participação no DopoFestival (+5 e +10), papillon do maestro (+10), peça vermelha (+10, Bonus Arredissima), o gesto do inchino com a mão no coração (+10, Bonus Disney+), foto com a tazza (+10, Bonus Rai Radio 2) e acessório amarelo (+10, Bonus Avis).
Completa o pódio da noite Leo Gassmann com 95 pontos, beneficiado por 5 pontos pela apresentação do co-apresentador, 20 pelo “Pronti, partenza, via!” do maestro, 10 por sentar-se nas escadas (Bonus Arredissima), 10 por não tocar no microfone nos primeiros 30 segundos (Bonus Bancomat), 15 pela descida em platea (Bonus Chanteclair), 10 pelo inchino com a mão no coração (Bonus Disney+), 10 por acessório amarelo (Bonus Avis), 10 pelo microfone sob a axila e 5 por cantar com a mão no bolso.
Observando os padrões, entre os bônus mais recorrentes da noite sobressaiu o papillon do maestro, atribuído em nove ocasiões, seguido pela apresentação feita pelo co-apresentador (sete vezes) e pela presença de performer(s) no palco (três vezes). Esses elementos repetidos compõem, na prática, o roteiro oculto do jogo: pequenos detalhes cênicos que reverberam em pontos e nas emoções do público.
Nem só de bônus vive o Fanta: o Team Punteggi aplicou malus de 10 pontos a Eddie Brock e Sayf por terem “esquecido as palavras da própria canção, fazendo cena muda ou farfugliando por alguns segundos”. Idêntica penalidade caiu sobre Arisa por ter citado o nome do FantaSanremo no palco — um lembrete de que a própria autoconsciência do espetáculo pode virar risco dentro do jogo.
À medida que nos aproximamos das noites decisivas, o FantaSanremo assume o papel de um microcosmo: cada bonificação e penalidade é um reflexo do zeitgeist festivaliero. O que parecia apenas um placar transforma-se num mapa de preferências, memórias e gestos emblemáticos — o roteiro oculto que revela, por entre figurinos e aplausos, as afinidades culturais de uma plateia em transformação.






















