Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, durante o encontro ‘Il tango dell’adolescenza – Corso di alta formazione’, o endocrinologista Roberto Baldelli destacou um aspecto que pulsa como um ritmo secreto na vida das jovens: o bem-estar endoginecológico na adolescência. Essa fase — delicada como a primeira chuva sobre um campo recém-semeado — marca a passagem do cuidado predominantemente pediátrico para uma abordagem integrada entre endocrinologia e ginecologia no adulto.
Baldelli, diretor da Uosd de Endocrinologia do hospital San Camillo-Forlanini de Roma, lembra que ‘qualquer patologia com início em idade pediátrica requer atenção’. Traduzindo essa observação para a prática clínica: o que emerge na juventude, por vezes, acompanha a pessoa por toda a vida — e a forma como cuidamos dessa transição pode mudar o destino terapêutico.
O especialista traz um exemplo que é um fio condutor entre a pediatria e a vida adulta: o diabetes. ‘Quando eu trabalhava em pediatria’, recorda Baldelli, ‘observei que pacientes diabéticos que fizeram uma transição bem acompanhada apresentavam um outcome melhor, evidenciado por um dado concreto como o da hemoglobina glicada (HbA1c) — que se mostrava mais favorável’. É uma imagem clara: a medida laboratorial torna visível o fruto da atenção cuidada durante a adolescência.
Essa necessidade de atenção durante o período transicional não é um detalhe administrativo; é um espaço temporal onde se definem práticas, hábitos e vínculos com o tratamento. A adolescência é um terreno fértil em transformação — a ‘respiração da cidade’ muda, o corpo redescobre seu ritmo e os profissionais de saúde devem estar prontos para escutar e orientar, guardando as raízes do bem-estar.
Em termos práticos, a recomendação de Baldelli implica fortalecer redes de cuidado que acompanhem jovens com doenças de início pediátrico — sejam metabólicas, endócrinas ou ginecológicas — garantindo continuidade, educação em saúde e atenção multidisciplinar. É uma espécie de colheita de hábitos: o que se planta na transição tende a influenciar a qualidade de vida na fase adulta.
Como observador das estações do corpo e da cidade, percebo nessa mensagem um convite a olhar para a saúde do adolescente com sensibilidade. Não se trata apenas de números ou guias clínicos, mas de construir pontes cuidadosas entre profissionais, famílias e jovens — para que a travessia da adolescência seja acompanhada, segura e promotora de saúde.
Em suma, o alerta de Baldelli é claro e poético ao mesmo tempo: a fase de transição merece ser tratada como prioridade. Porque, como em qualquer jardim bem cuidado, a atenção no momento certo faz toda a diferença na colheita futura.





















