Por Marco Severini – Em uma noite que lembra um movimento decisivo no tabuleiro celeste, o céu do dia 28 de fevereiro de 2026 oferecerá um alinhamento de planetas visível logo após o pôr do sol. Não se trata de uma linha geométrica perfeita, mas de uma concentração de mundos ao longo do plano da eclíptica, a via por onde transitam Sol, Lua e planetas do nosso Sistema Solar.
O fenômeno poderá ser observado aproximadamente entre 30 e 60 minutos após o crepúsculo local. Ao dirigir o olhar para o horizonte oeste e sudoeste será possível seguir a sucessão dos astros que declinam rumo ao pôr: Mercúrio, muito próximo ao horizonte; Vênus, brilhante e fácil de identificar; Júpiter, o mais luminoso entre os planetas observáveis no firmamento; Saturno, de brilho mais tênue, ainda perceptível a olho nu; e, já mais discretos, Urano e Netuno, que exigirão binóculo ou telescópio para serem distinguidos.
Para observar com qualidade, alguns cuidados práticos são essenciais: escolha um ponto de observação com horizonte oeste livre de obstáculos — edifícios, árvores ou relevos locais —, pois Mercúrio e Vênus estarão muito baixos e podem desaparecer por trás de linhas do horizonte. Condições meteorológicas favoráveis e baixa poluição luminosa aumentam substancialmente a chance de contemplar o conjunto.
Do ponto de vista científico e simbólico, eventos em que seis planetas aparecem juntos no crepúsculo são ocasiões para recordar a harmonia dinâmica do Sistema Solar vista desde a Terra. Ainda que o alinhamento não represente qualquer mudança física entre os corpos, ele desenha para o observador uma imagem eloquente dos alicerces frágeis da diplomacia entre luzes e sombras no céu — uma pequena cartografia do sistema que nos contém.
Recomendações sumarizadas:
- Observe entre 30 e 60 minutos após o pôr do sol, mirando para oeste/sudoeste.
- Procure um local com horizonte desobstruído para enxergar Mercúrio e Vênus.
- Leve binóculos ou telescópio para localizar Urano e Netuno.
- Considere condições meteorológicas e poluição luminosa — áreas rurais oferecem a melhor vista.
Na noite de final de inverno, se o céu colaborar, o observador poderá contemplar simultaneamente múltiplos mundos do mesmo sistema planetário — uma experiência que conecta imediatamente a percepção humana à vastidão do espaço. Em termos de estratégia e visão de longo prazo, momentos como este são lembretes serenos de que, mesmo sobre o ruído do cotidiano terrestre, existem padrões e alinhamentos que conservam uma ordem. São esses compasses celestes que nos lembram de traçar movimentos ponderados no tabuleiro maior das relações — científico, cultural e simbólico.
Assino com a calma de quem observa mapas e constelações: prepare o ponto de observação, traga equipamentos ópticos se possível, e busque a noite limpa. O espetáculo, ainda que breve, é uma janela para a arquitetura do Sistema Solar.





















