Bruxelas — Em 2025, foram retiradas da circulação 444 mil notas de euro falsas, um dado que a Banco Central Europeu (BCE) descreve como um dos mais baixos da série histórica e que sinaliza um movimento de desaceleração na onda de falsificação que vinha crescendo nos anos anteriores. Para além do alívio estatístico, trata-se de um movimento importante no tabuleiro financeiro: um deslocamento que reduz riscos sistêmicos e reforça os alicerces frágeis da confiança monetária.
A instituição de Frankfurt sublinha que o público não precisa alarmar-se, mas que a vigilância continua a ser necessária. A probabilidade de topar com uma nota falsificada permanece baixa: segundo os números oficiais, foram detectadas 14 notas falsas por milhão de notas autênticas em circulação em 2025. Este índice sustenta a mensagem da BCE de que, apesar da persistência do fenómeno, a sua dimensão é reduzida em termos relativos.
O total de 444 mil unidades representa uma queda de aproximadamente 20% em relação a 2024. Essa reversão de tendência é significativa: nos três anos precedentes, os casos de notas não oficiais haviam apresentado crescimento contínuo. Agora, com esse recuo, observa-se uma arregimentação das forças de fiscalização e uma provável adaptação das redes criminosas a procedimentos policiais e técnicos mais rigorosos — um jogo de xadrez em que cada movimento defensivo obrigou o adversário a recalibrar.
Quanto à composição das notas apreendidas, mantém-se a antiga preferência dos falsários por determinados cortes. As notas de 20 e 50 euros concentram cerca de 80% do total, repartidas em 27% para o corte de 20 euros e 53,3% para as de 50 euros. Seguindom, aparecem as notas de 100 euros (7,9%) e as de 10 euros (6,4%). Estes dados confirmam que falsificadores privilegiam denominações que combinam liquidez e valor unitário, facilitando a circulação e a inserção no comércio quotidiano.
Do ponto de vista estratégico, a interpretação deve ir além do número bruto. A redução sugere melhorias nos mecanismos de autenticação e na cooperação transfronteiriça entre forças policiais, bancos centrais e operadores financeiros. Entretanto, também inaugura novas incógnitas: haverá deslocamento para formas digitais de fraude? Ou redes vai- se especializar em notas de valores diferentes? A tectônica de poder entre medidas preventivas e criminalidade económica permanece em movimento.
Como analista, observo que este resultado permite à BCE afirmar uma vitória técnica nas frentes de segurança de moeda física, sem contudo declarar um fim de ciclo. A recomendação contínua é simples e prática: comerciantes, operadores de caixa e cidadãos devem manter hábitos de verificação, conhecer as marcas de segurança e, quando em dúvida, recorrer às autoridades ou aos canais bancários apropriados.
Em suma, os 444 mil exemplares retirados em 2025 constituem um triunfo tático: um movimento decisivo no tabuleiro que reduz uma fonte de instabilidade, mas que exige vigilância permanente para assegurar que os alicerces da diplomacia financeira e da confiança pública não se tornem frágeis novamente.






















