Sofia Goggia voltou a demonstrar sua consistência na velocidade ao conquistar o terceiro lugar na discesa libera de Soldeu, etapa da Coppa del Mondo disputada nos Pirineus de Andorra. O resultado marca o 67º pódio da carreira da italiana, um número que confirma sua permanência entre as referências da disciplina nas últimas temporadas.
A vitória ficou com a experiente suíça Corinne Suter, que soma mais uma conquista à sua trajetória na elite do esqui alpino. Em segundo lugar terminou a austríaca Nina Ortlieb, compondo um pódio de atletas com perfis distintos, mas todos forjados na cultura de velocidade dos seus países.
No plano nacional, além de Sofia Goggia, a Itália teve a trentina Laura Pirovano como melhor colocada entre as demais azzurre, em nono lugar. Mais atrás, completaram a prova Nicol Delago (16ª) e Elena Curtoni (18ª), resultados que traduzem uma presença competitiva, porém intermitente, das italianas nas pistas de velocidade.
Ausente em Soldeu, por opção cautelar, esteve Federica Brignone. A valdostana de La Salle, que vem gerindo dores residuais na perna esquerda desde o grave acidente de abril do ano passado, decidiu — conforme havia antecipado em coletiva — não arriscar na primeira das três provas andorranas para manter sob controle a recuperação. A programação prevê dois superG no fim de semana em Soldeu, nos quais Brignone tem boas chances de participar, caso a evolução física seja favorável.
O resultado de hoje confirma duas tendências que valem ser observadas com perspectiva mais ampla. Primeiro, a volatilidade e a profundidade do circuito de velocidade: pequenas margens de erro e dias de forma decidem pódios e temporadas. Segundo, a gestão de curso de atletas veteranas — a cautela de Brignone é sintomática de um padrão onde o prolongamento de carreira passa por escolhas médicas e competitivas que dialogam com a memória corporal e com a expectativa nacional sobre nomes que já se tornaram símbolos.
Para Sofia Goggia, o pódio em Soldeu representa não apenas mais uma colocação entre as melhores, mas também a continuidade de uma narrativa esportiva marcada por retornos e por uma relação complexa com a lesão e com a pressão pública. Para a seleção italiana, assumir essa dimensão coletiva — entre renovação e preservação de figuras centrais — será decisivo nas próximas etapas do circuito.
O calendário segue já neste fim de semana com os dois superG em Soldeu: provas nas quais a presença de Federica Brignone é provável e que prometem redefinir posições na tabela e oferecer índices mais claros sobre a forma das concorrentes antes de as equipes se deslocarem para as próximas paradas da temporada.
Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes da Espresso Italia — análise e contexto sobre o que a velocidade no esqui revela das dinâmicas esportivas europeias.






















