Milão — Em cerimônia promovida pelo Panathlon Club Milano, o Prêmio de Literatura Esportiva Sandro Ciotti destacou, mais uma vez, o papel do esporte como fenômeno cultural e instrumento de transformação social. A edição premiou Vito Cozzoli, administrador‑delegado da Autostrade dello Stato, pelo livro L’anima sociale industriale dello sport (Piemme Edizione), e reconheceu também a contribuição de Giuseppe Marotta, presidente da Inter, autor da prefação.
O tom da premiação foi desprovido de fanfarra: tratou‑se de uma reafirmação de que o esporte ultrapassa a lógica do resultado e se articula como matriz de coesão, emprego e inovação. Nas palavras de Cozzoli, “é uma grande satisfação receber o prêmio intitulado a Sandro Ciotti” — e a declaração prosseguiu na linha programática que atravessa o livro: a ideia de que a face social e a face industrial do esporte não são antagônicas, mas complementares e orientadas para o crescimento das comunidades.
No seu discurso, Cozzoli enfatizou a relevância da visão de Marotta, que na prefácio assinala a “força transformadora” da prática esportiva. Para ambos, o esporte funciona simultaneamente como amortecedor social e como um setor econômico que gera emprego, atrai investimentos e exige processos de inovação — em especial quando a ambição institucional se volta para eventos de grande porte, como as Olimpíadas de Milano‑Cortina.
A presença de um executivo vindo do mundo das infraestruturas, premiado num evento literário sobre esporte, cristaliza uma leitura ampliada: infraestrutura física e políticas públicas dialogam com práticas comunitárias e com a indústria do entretenimento esportivo. Cozzoli sublinhou que, para explora r esse potencial, é necessária uma ação coletiva: “Servono politiche pubbliche, investitori privati, grandi infrastrutture e, soprattutto, una forte promozione dello sport di base per migliorare la qualità della vita di tutti i cittadini” — proposta que resume um programa de integração entre setor público, capital privado e investimento em formação.
Essa perspectiva remete a um debate mais amplo sobre o lugar do esporte nas políticas urbanas e sociais: estádios e instalações esportivas podem ser tanto motores de regeneração quanto símbolos de desigualdade, dependendo das escolhas de planejamento e governança. Ao reconhecer um gestor de infraestrutura e um dirigente de clube, o Panathlon optou por valorizar a hipótese de um modelo que articula valores cívicos e sustentabilidade econômica.
Do ponto de vista cultural, o prêmio Sandro Ciotti reafirma o papel da escrita esportiva como instrumento de reflexão — não apenas um relato de temporadas e resultados, mas também um campo de produção de sentido sobre identidades coletivas. Em tempos em que eventos esportivos mobilizam bilhões e narrativas públicas, colocar em destaque reflexões sobre a “alma social industrial” do esporte significa resgatar a dimensão civicamente relevante do fenômeno.
Data da cerimônia: 24 de fevereiro de 2026. O prêmio, além de reconhecer um livro, sinaliza uma agenda: promover políticas que fortaleçam o esporte de base, integrem infraestrutura e incentivem modelos sustentáveis de gestão esportiva, com impacto direto na qualidade de vida das cidades.






















