Por Otávio Marchesini — Repórter de Esportes da Espresso Italia
A hora da decisão se aproxima para a Numia Vero Volley Milano. Após assegurar matematicamente o terceiro lugar da fase regular com a vitória sobre a Savino del Bene Scandicci, as atenções das milanesas já estão voltadas para a sequência dupla de compromissos: a partida de volta da Champions League e, a curta distância, os playoff do scudetto contra a Megabox Vallefoglia.
O revés contra o Eczacibasi, ocorrido há três semanas, ficou para trás, mas não sem deixar consequências: complicou a trajectória rumo à final four da Champions League, que será disputada em Istambul no início de maio. A resposta, entretanto, foi imediata — o time de Stefano Lavarini venceu por 3-0 o Olympiacos no jogo de ida em Atenas e chega nesta quarta-feira às 20h30 ao Opiquad Arena de Monza com a vantagem construída.
Com transmissão ao vivo pela Sky Sport Arena e DAZN, a Numia precisa agora de apenas dois sets na partida de volta para confirmar a vaga nos quartos de final. Objetivo objetivo claro, mas com desafios incômodos à frente: a vencedora do confronto com as gregas encontrará no caminho o fantasma do Vakifbank Istanbul, treinado por Giovanni Guidetti — uma verdadeira potência do voleibol europeu, líder do campeonato turco e detentora de seis títulos de Champions.
No pano de fundo desta narrativa está Paola Egonu, hoje capitã de Milano. Jogadora que conhece profundamente os palcos continentais, Egonu já conquistou a Champions três vezes com clubes diferentes e sonha com um inédito quarto título — um feito que até agora nenhuma atleta alcançou. A simbologia desse objetivo transcende o alívio de uma vitória esportiva: trata-se de consolidar uma carreira que, em muitos aspectos, espelha as trajetórias de mobilidade e visibilidade do esporte feminino na Europa.
O técnico Stefano Lavarini reduz a leitura: “Em Atenas obtivemos um resultado positivo, mas aquela partida pertence ao passado. Agora é preciso concentração: será importante jogar com qualidade e determinação desde o início para impor nosso ritmo, contra um adversário que buscará até o último ponto para tentar a reviravolta”.
A atacante Rebecca Piva também destacou a necessidade de foco: “Será uma partida importante com um objetivo valioso em disputa — temos que nos preparar com a concentração certa. O Olympiacos é forte e já provou isso ao bater uma equipe como o Eczacibasi. Não podemos subestimá-las; precisamos impor nosso jogo desde o primeiro saque, com o apoio dos nossos extraordinários torcedores”.
Mais do que um confronto de atletas, o duelo em Monza carrega subtom cultural e institucional: estádios e clubes que se mobilizam, torcidas que transformam noites europeias em capítulos da memória coletiva local. Para Milano, avançar na Champions significaria não apenas seguir viva na competição, mas também prolongar uma narrativa de afirmação esportiva e econômica num calendário que exige equilíbrio entre ambição continental e expectativas nacionais.
Do ponto de vista tático, será essencial controlar o passe e explorar a rede com variações, evitando caídas abruptas de rendimento que costumam abrir portas para viradas. Para os organizadores e para a cidade de Monza, a partida representa ainda um momento de visibilidade internacional que vale tanto quanto o resultado em si.
Se a lógica do primeiro jogo persistir, a Numia Vero parte com vantagem. Mas o voleibol moderno já ensinou que margem e resultado não são sinônimos de destino. Nesta quarta, em Monza, se medem ambições e memórias — e as jogadoras de Milano sabem que, para continuar sonhando com Istambul, precisam primeiro selar a conta contra o Olympiacos.
Direto do Opiquad Arena, torcida preparada, transmissão garantida: a batalha pelas quartas começa às 20h30.





















