Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Sem grandes surpresas e com a sobriedade que caracteriza as equipes que já internalizaram seu papel na temporada, Itas Trento cumpriu o roteiro: venceu a Cisterna por 3-0 (25-15, 25-19, 25-15) e garantiu, de forma matemática, o terceiro lugar na primeira fase da Superlega, atrás apenas de Perugia e Verona.
O resultado, além de confirmar uma hierarquia construída ao longo da regular season, diz respeito também ao manejo cuidadoso do elenco e à capacidade do clube de preservar energia e identidade para os momentos decisivos. A partida teve caráter quase de treino de alto nível para os trentinos: postura firme no bloqueio, recepção organizada e uma produção ofensiva limpa, que não deu margem a reações de um adversário já sem motivações claras na tabela.
No primeiro set, Trento mostrou a leitura do jogo desde cedo. O bloco funcionou como referência — com destaque para a presença de Lavia e os ajustes de Torwie — e permitiu abrir vantagem (6-4, depois 8-5) até a sequência que levou ao 16-8. Quando Ramon assumiu o serviço e proporcionou pressão direta, a diferença duplicou e encaminhou o 25-15 inicial.
O segundo parcial repetiu o roteiro: ataques criteriosos e uma combinação entre volume de jogo e eficiência pontual. Com Faure e Lavia em destaque, Trento pulou para 7-3 e consolidou o controle até o 25-19, quando o técnico Mendez aproveitou para testar mudanças na diagonal, lançando Garcia e Acquarone.
O terceiro set foi mera formalidade. O ace de Ramon e o segundo período de serviço de Faure elevaram a vantagem para 11-3 e permitiram ao time gerir pacientemente o final: algumas confusões de arbitragem nos substituições atrasaram o desfecho, mas não alteraram o placar final de 25-15.
Mais que o resultado, vale notar o retorno de Flavio Gualberto, que amplia as opções centrais do elenco, e a expectativa pelo reaparecimento de Alessandro Michieletto, cuja recuperação pode determinar nuances táticas nos playoffs. A confirmação do terceiro posto também define o confronto das quartas de final: Trento reencontra a histórica rival Civitanova, numa reedição da última final nacional — um duelo que, além do valor técnico, carrega memória coletiva e simbolismos regionais.
A temporada de mata-mata se inicia no fim de semana de 8 de março, quando a defesa do scudetto trentino terá início. Até lá, o desafio imediato é manter a forma: já no sábado à tarde a equipe volta à estrada para enfrentar o Trieste, partida que servirá para ajustes finais antes da fase eliminatória.
Em um país onde o voleibol é tecido nas identidades locais e na disputa simbólica entre tradições desportivas, a atuação controlada da Itas nesta noite reafirma algo mais que competência técnica: a manutenção de uma narrativa coletiva que une cidade, clube e torcida em torno de expectativas que vão além do placar.






















