Juventus esteve perto de uma recuperação histórica nos playoffs da Champions League, mas viu seus sonhos interrompidos na prorrogação pelo Galatasaray. Em uma partida que sintetiza a natureza dramática das eliminatórias europeias, os bianconeri, reduzidos a dez jogadores logo no início do segundo tempo, empataram a eliminatória no tempo regulamentar e foram superados apenas após dois gols no tempo extra.
A partida, disputada em 25 de fevereiro de 2026, começou com a sensação de que a Juventus iria atrás do impossível. Apesar da desvantagem de 2-5 no jogo de ida, a equipe de Turim mostrou personalidade: marcou três vezes dentro dos 90 minutos e igualou o placar agregado, forçando a prorrogação. A expulsão de Kelly aos 47 minutos deixou o time com dez jogadores, um cenário que normalmente tolhe ambições deste porte — mas que, paradoxalmente, acentuou a resposta coletiva dos mandantes.
No decorrer do jogo, lances decisivos marcaram a trajetória bianconera. O jovem Kenan Yildiz atingiu o poste em um momento em que o empate já alimentava esperanças; desperdiços isolados de Yildiz, Thuram e Zhegrova mostraram que a eficácia ofensiva ainda era pedida, mesmo com domínio territorial. A solidez tática e a intensidade defensiva, contudo, compensaram em parte as dificuldades numéricas até o apito final dos 90 minutos.
Na prorrogação, o jogo virou novamente contra a Juventus. Segundo o relato da partida, Osimhen abriu o placar do tempo extra, e logo depois Baris Yilmaz ampliou, selando a eliminação dos italianos e apagando a reação que havia reacendido as esperanças da torcida. Para além do resultado, resta a imagem de um time que, diante da adversidade, foi capaz de reencontrar coesão coletiva e coragem competitiva — traços que, no entanto, não foram suficientes para reescrever o desfecho europeu.
Como repórter e analista, é necessário distinguir entre o encanto emocional de uma virada parcial e a leitura estratégica do que essa partida revela. A Juventus mostrou que ainda conserva cultura de combate e capacidade de recuperação; faltou, talvez, um pouco mais de precisão nas decisões ofensivas e uma gestão mais paciente dos momentos críticos. Para o Galatasaray, a partida ilustra experiência e frieza em gerir pressões, qualidades que costumam determinar o sucesso em fases eliminatórias.
Em termos mais amplos, o episódio traz reflexões sobre o estado do futebol italiano em competições europeias: clubes tradicionais, como a Juventus, oscilam entre projetos de reconstrução e a obrigação de resgatar prestígio continental. A derrota na prorrogação é, portanto, tanto um resultado esportivo quanto um indicador das escolhas que o clube terá de fazer na temporada — entre preservar identidade tática, investir na formação de jovens como Yildiz ou buscar soluções imediatas no mercado.
O relato deste duelo deixa uma imagem clara: nem sempre a maior paixão vence, mas sempre permite interpretar o esporte como espelho de tensões sociais, econômicas e identitárias. A Juventus sai do confronto com a certeza de ter lutado até o fim; o Galatasaray, com a classificação. O futebol, como registro de memória coletiva, segue seu fluxo — ora celebrando a persistência, ora lembrando os limites do esforço em campo.
Data da partida: 25 de fevereiro de 2026 (atualizado em 26 de fevereiro de 2026). Reportagem por Otávio Marchesini, Espresso Italia.






















