Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em meio ao brilho do Festival de Sanremo, a cena pública foi deliberadamente ocupada por uma mensagem que ultrapassa o mero espetáculo: a prevenção como prática coletiva e política. No talk show de Casa Sanremo intitulado «La prevenzione si fa sentire a Sanremo», organizado pelo ministero della Salute em colaboração com o Departamento de Políticas Contra as Drogas e outras Dependências e com a RAI, especialistas e autoridades destacaram que agir antes do aparecimento das doenças transforma expectativas de vida e a sustentabilidade do sistema de saúde.
Estudos científicos citados no debate mostram que adotar estilos de vida saudáveis — alimentação equilibrada, maior atividade física, não fumar e consumo moderado de álcool — pode reduzir em até 40% a incidência de tumores. Foi essa estatística que o ministro Orazio Schillaci trouxe em videoconferência, explicando que uma dieta adequada, como a nossa tradicional dieta mediterrânea, combinada com exercício regular, não só previne doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, como também gera benefícios econômicos substanciais para o Serviço Sanitario Nazionale (SSN).
Schillaci sublinhou o duplo efeito da prevenção: reduzir o número de pessoas que necessitam de tratamentos crônicos e liberar recursos para terapias inovadoras. “Prevenir — disse o ministro — significa viver mais e melhor, e garantir que quem necessita tenha acesso gratuito a medicamentos que podem salvar vidas.” A campanha ministérica inclui um spot intitulado «Non è mai troppo tardi per invecchiare in salute», com o apresentador Massimiliano Ossini como testemunha, reforçando que nunca é tarde para adotar hábitos saudáveis.
Ao lado dos comportamentos individuais, a detecção precoce foi apontada como eixo imprescindível. O acesso aos programas gratuitos de screening oferecidos pelo SSN aumenta substancialmente as chances de cura quando um tumor é identificado em fase inicial. Atualmente, os programas cobrem gratuitamente o rastreamento do colo do útero (para mulheres entre 25 e 64 anos), da mama (45-74 anos) e do cólon-retal (50-74 anos). Essas iniciativas são fundamentais porque identificam lesões potencialmente graves mesmo em indivíduos assintomáticos.
A presença de uma campanha assim num evento de grande audiência como Sanremo não é casual: trata-se de utilizar um palco cultural para redefinir prioridades coletivas. A minha leitura, como observador do esporte e da cultura pública, é que a prevenção deve ser tratada não apenas como política de saúde, mas como projeto de sociedade — que envolve educação, planejamento urbano, políticas alimentares e acesso ao esporte e ao lazer.
Schillaci concluiu com um apelo prático: devemos tornar-nos todos promotores de saúde, respondendo aos convites das Regiões para os programas de screening e valorizando os serviços territoriais. A mensagem lançada em Sanremo pretende, portanto, transformar audiência em adesão: não uma campanha pontual, mas uma semente para práticas cotidianas que, ao longo do tempo, alteram indicadores de doença e consolidam a equidade no acesso à saúde.
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