Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Num gesto que liga a conquista esportiva à preservação da memória coletiva, a campeã italiana Lisa Vittozzi entregou ao Museu Olímpico de Lausanne a tuta d’oro com a qual conquistou o ouro no biathlon em Milano Cortina 2026. A cerimônia de doação, realizada em Anterselva, transforma um objeto de competição em patrimônio público, disponível para ser visto e interpretado por gerações vindouras.
A tuta, assinada pela própria Vittozzi no local, junta-se agora ao acervo que guarda não apenas recordações de vitórias, mas também trajetórias de vida — histórias de disciplina, renúncia e identidade nacional. A atleta, que desfilou como porta-bandeira na cerimônia de encerramento em Verona ao lado de Davide Ghiotto, declarou que considera a doação uma forma de devolver à comunidade o que a prática esportiva lhe deu.
Ao lado da tuta de Vittozzi, entrarão nas coleções outros objetos recentes do ciclo de Jogos: os bastões assinados por Federico Pellegrino, bronze no sprint por equipes do esqui cross-country com Elia Barp, entre outras peças que documentam a participação italiana em Milano Cortina 2026.
O acervo do museu, inaugurado em 1993 e distribuído em cerca de 3.000 metros quadrados, já reúne ícones individuais como as sapatilhas de Pietro Mennea, o costume de Vanessa Ferrari e a camisa de Paola Egonu, convivendo com relíquias internacionais de figuras como Jesse Owens, Nadia Comaneci e Usain Bolt. “Esses objetos contam histórias de sucesso, mas também de empenho e sacrifício”, lembra Angelita Teo, diretora do Museu Olímpico.
A fala da diretora sintetiza o sentido público da iniciativa: quando um atleta doa seu equipamento, ele não apenas consagra uma carreira, mas cede um fragmento de experiência que pode educar, provocar empatia e inspirar. Para Teo, as recentes doações de Vittozzi e Pellegrino permitirão aos visitantes de todo o mundo reviverem as emoções de Milano Cortina 2026 e compreenderem melhor o percurso humano por trás de uma medalha.
Do ponto de vista cultural, a chegada da tuta ao museu reafirma uma leitura do esporte como instrumento de memória coletiva. Não se trata apenas de um troféu em exposição, mas de um documento material que vincula um evento contemporâneo às narrativas olímpicas do século XX e XXI — um elo entre Praça, Arena e Cidade que ajuda a contar quem nós fomos e quem aspiramos ser.
Vittozzi e Pellegrino, por sua vez, manifestaram orgulho em integrar um espaço que arquiva as páginas mais importantes da história esportiva. Ao transformar seu objeto de vitória em patrimônio público, ambos deixam uma marca que ultrapassa o instante do pódio: oferecem um recurso para pesquisa, educação e celebração, consolidando a passagem do desempenho individual ao patrimônio coletivo.
Em termos práticos, a tuta seguirá os critérios museológicos de conservação e será exibida junto a outros materiais de Milano Cortina 2026, integrando as rotas de visita do museu que, desde sua abertura, busca equilibrar a dimensão espetacular dos Jogos com a reflexão crítica sobre o papel do esporte na sociedade.






















