Por Otávio Marchesini — Repórter de Esportes, Espresso Italia
Distratada e sem gana, a Fiorentina sofreu três gols do Jagiellonia, foi forçada a jogar o tempo extra e só garantiu a classificação para os oitavos da Conference graças à entrada decisiva de Fagioli. Placar final: 2-4 após prolongamento. Hoje, 27 de fevereiro, os sorteios definirão o próximo adversário — ida em 12 de março, volta em 19: enfrentará uma entre Strasbourg e Raków.
Dizer as coisas claramente: se essa for a atitude com que a Fiorentina chegará aos oitavos, a eliminação estará apenas adiada. O que se viu ontem foi quase indigesto: uma equipe praticamente inguardable, capaz, novamente nesta temporada tão irregular, de explorar abismos que pareciam ter sido atenuados pelas recentes vitórias. Resultado: a ilusão de recuperação foi varrida pela realidade de um jogo que deveria ter sido gerido com mais atenção.
Ocorreu um grande rodízio — e o rodízio aconteceu. Vanoli mexeu amplamente no time, numa escolha que, apesar de compreensível, traz consigo um risco evidente: subestimar partidas teoricamente controláveis e pagar caro pela falta de concentração. Aos 20 minutos, o Jagiellonia já vencia. Um gol nas raízes de velhas sonolências defensivas, atitudes que, apesar de repetidas, continuam a punir a equipe. Foi o suficiente para reabrir incertezas que comprometem qualquer planejamento.
A fragilidade desta Fiorentina é estrutural: basta pouco para que o pânico se instale. Houve também um golpe de sorte do adversário no 0-2, porém até aquele momento os viola não haviam feito muito para merecer mais. O campo dava a impressão de onze desconectados — um ataque sem criatividade (Pululu parecia deslocado), uma defesa nervosa e um goleiro pouco convincente.
Diante do cenário, Vanoli teve que escolher entre lançar os nomes de peso ou continuar poupando-os. A primeira alteração, com entrada de Harrison (além de De Gea, que entrou por lesão de Lezzerini), não surtiu efeito: veio o 0-3 e a ausência de reação foi notória mesmo com as entradas posteriores de Solomon (que saiu lesionado) e Fagioli. Kean permaneceu no banco até o minuto 89 — entrou apenas por câimbras de Piccoli —, o que sugere uma leitura tática tímida ou, pior, resignada.
Ao final, coube a Fagioli, já no segundo tempo suplementar, oferecer a fagulha necessária para virar o jogo e salvar a classificação. Um gesto de talento individual que não pode, contudo, ocultar problemas mais profundos: gestão de elenco, intensidade competitiva e cultura de jogo. Estádios e competições europeias pedem compromisso constante; a Itália sabe que clubes com tradição têm de traduzir isso em consistência.
Se a passagem aos oitavos é um alívio, é também um aviso. A Fiorentina precisa urgentemente de reflexões sérias sobre escolhas técnicas e mentalidade coletiva. A memória esportiva não perdoa episódios repetidos — a equipe corre o risco de transformar um triunfo suado em ponto de partida para outras fragilidades.
Hoje haverá o sorteio; amanhã começa a contagem regressiva para 12 de março. A pergunta que fica é menos sobre quem virá na próxima fase e mais sobre qual Fiorentina veremos: a que sobrevive por talento individual ou a que se reconstrói como conjunto coerente?






















