Por Otávio Marchesini, Espresso Italia. Com os playoffs encerrados e a Champions League entrando em sua fase decisiva, o sorteio que montará a árvore das oitavas de final ganha caráter de calendário e geografia esportiva. Na sexta-feira, 27 de fevereiro, em Nyon (às 12h locais), a Uefa definirá os caminhos que podem transformar expectativas em confrontos históricos.
A Atalanta é, por ora, a única equipe italiana que se garantiu nos 16 melhores e surge como ponto focal de um sorteio que combinará as equipes já classificadas na fase de grupos — que entram como cabeças de chave — com as oito que vieram dos playoffs. Segundo o procedimento oficial, as equipes classificadas ao final do campeonato foram agrupadas em quatro pares de cabeças de chave (1/2, 3/4, 5/6, 7/8) e serão distribuídas no quadro começando pelos pares 7/8 até 1/2.
O mecanismo do sorteio segue uma lógica técnica que vale ser traduzida: serão montadas quatro urnas com as bolas correspondentes a cada par de cabeças de chave, e o sorteio definirá o lado do quadro (prata ou verde) para cada equipe cabeça de chave. Uma vez atribuída a posição das cabeças de chave, os adversários vindos dos playoffs serão posicionados de acordo com os resultados do sorteio prévio desses spareggi. Importante: a partir deste sorteio, equipes do mesmo país podem se enfrentar.
Para o leitor que acompanha o futebol como fenômeno cultural — e não apenas esportivo — é relevante notar que o sorteio não é um evento meramente administrativo. Trata-se de um ritual que impacta logística, receitas, visibilidade internacional e memória coletiva dos clubes. Para cidades como Bérgamo, cada sorteio que coloca a Atalanta diante de potências europeias é um teste de identidade: resistência econômica, capacidade de visitas e estratégia desportiva.
As combinações possíveis, conforme divulgadas, incluem confrontos de alto impacto:
- Arsenal contra Atalanta ou Bayer Leverkusen
- Bayern Monaco contra Atalanta ou Bayer Leverkusen
- Liverpool contra Galatasaray ou Atlético de Madrid
- Tottenham contra Galatasaray ou Atlético de Madrid
- Barcelona contra PSG ou Newcastle
- Chelsea contra PSG ou Newcastle
- Sporting Lisboa contra Bodo/Glimt ou Real Madrid
- Manchester City contra Bodo/Glimt ou Real Madrid
O calendário já está estabelecido: as partidas das oitavas de final serão em 10/11 e 17/18 de março de 2026; os jogos das quartas de final em 7/8 e 14/15 de abril; as semifinais em 28/29 de abril e 5/6 de maio. O desenho da final ainda aparece de forma truncada na relação original, mas a progressão temporal é clara e sublinha como cada sorteio redesenha trajetórias esportivas e públicas.
Como analista, observo que o sorteio de Nyon não é neutro: ele redistribui possibilidades e pressiona calendários de clubes e federações. Para a Atalanta, enfrentar um clube do calibre do Arsenal ou do Bayern não é apenas um desafio esportivo; é uma janela para afirmar o projeto de formação e a capacidade de equilíbrio institucional em confronto com gigantes que operam em outra escala financeira.
O resultado do sorteio, portanto, terá repercussões que vão além do placar: afetará patrocínios, roteiros de viagem dos torcedores, planejamento tático e, sobretudo, a narrativa que cada clube carregará ao longo da temporada europeia. Estarei em Nyon para acompanhar o ritual com atenção histórica e cultural, decodificando as implicações que cada combinação traz para o futebol italiano e europeu.






















