Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Com as Olimpíadas de Milano Cortina 2026 nos livros de história, a temporada da Copa do Mundo de esqui alpino retoma seu ritmo competitivo em solo pirenaico: a pista de Soldeu, em Andorra, recebe na sexta-feira, 27 de fevereiro, a prova de descida livre feminina, seguida no fim de semana por dois superG — um deles sendo o reagendamento da prova cancelada em Zauchensee.
O início do evento chega, porém, marcado por uma ausência que altera o mapa de favoritos: Federica Brignone, campeã olímpica e detentora de duas medalhas de ouro em Milão-Cortina, deu forfait para a descida. Em declaração franca, a valdostana explicou que a equipe avaliou a participação durante a semana. “Decidimos se vir aqui, se continuar e qual era a melhor escolha para mim. No fim, decidi vir: Andorra é um dos meus lugares preferidos, mas sinto bastante dor e tenho dificuldade para apoiar a perna. Por isso, vocês não me viram em treino”, disse Brignone, justificando a ausência nos treinos oficiais.
Com Brignone fora, os olhos se voltam para Sofia Goggia, figura que carrega não apenas resultados, mas simbolismo dentro do esqui italiano contemporâneo. Goggia aparece atualmente na sexta posição da classificação específica de descida, com 180 pontos, mas mantém liderança na classificação de superG, com 280 pontos — sinal de consistência em provas de velocidade que pode traduzir-se em vantagem psicológica no circuito que segue pós-Olimpíadas.
Do ponto de vista esportivo, a etapa de Soldeu surge como uma janela de leitura mais ampla: trata-se de uma sequência que testará a capacidade de recuperação das atletas após as tensões físicas e emocionais de um ciclo olímpico, e ao mesmo tempo reconfigura disputas de ranking que influenciam financiamento, atenção da mídia e narrativas regionais. Para a Itália, ter figuras como Goggia na pista é manter vivo um discurso de tradição e identidade esportiva — e ver Brignone poupando-se agora pode também ser uma decisão estratégica de longo prazo.
Informações de transmissão: a descida livre feminina de Soldeu, prevista para as 11h (hora local do evento), será transmitida em sinal aberto pela Rai2 e disponível em streaming via RaiPlay. Para quem busca cobertura ampliada, a prova também poderá ser acompanhada na Eurosport 1, discovery+ e DAZN.
Além do aspecto técnico, vale lembrar que a retomada da Copa do Mundo após as Olimpíadas costuma alterar ritmos e prioridades das equipes: lesões são geridas com cuidado, e decisões sobre presença em provas passam a considerar calendário até a próxima grande meta. Em Soldeu, portanto, cada partida da descida terá leitura tática e simbólica — não apenas quem cruza a linha em primeiro, mas o que essa posição representa para a temporada e para as trajetórias pessoais das atletas.
Programação rápida: descida livre feminina — 27 de fevereiro, 11h; transmissões em Rai2, RaiPlay, Eurosport 1, discovery+ e DAZN.
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