Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em um sábado de pré‑qualificações que revelou tanto desempenho quanto perguntas, Marco Bezzecchi impôs-se na pista tailandesa com um tempo que quebrou o recorde do circuito e deixou claro que a Aprilia chega forte ao fim de semana. A RS‑GP de Noale apareceu em condições de protagonismo: três motos entre os dez primeiros e um ritmo que, no papel, coloca a equipe entre as favoritas para as provas decisivas.
Logo atrás de Bezzecchi ficou Marc Márquez, ainda distante do auge físico, mas suficientemente rápido para assegurar o segundo posto. O terceiro lugar foi de Fabio Di Giannantonio, que vem mostrando consistência: foi o segundo mais rápido pela manhã, liderou boa parte dos treinos da tarde e só caiu para o terceiro lugar ao fim da sessão.
A hierarquia do dia confirma certo equilíbrio entre marcas: as Aprilia despunham com autoridade, mas as Ducati — embora em fase de busca por respostas — permaneceram presentes na zona de identificação. Entre os destaques técnicos, a recuperação de Jorge Martin merece menção: quinto colocado, o espanhol parece ter virado a página após uma temporada anterior marcada por problemas físicos e baixa regularidade.
Também pontuaram nas dez primeiras posições nomes como Joan Mir (sétimo) e Johann Zarco (décimo), enquanto Ai Ogura (nono) confirmou boa adaptação à Aprilia Trackhouse, mesmo com uma queda no encerramento da sessão. A KTM de Pedro Acosta apareceu como a melhor da marca austríaca, mas ainda um passo atrás das referências do dia.
Entre os que sofreram, sobressai a atuação apagada de Francesco Bagnaia. Quoto‑quinze na tabela, o piloto da Ducati ficou a quase um segundo e três décimos do tempo de Bezzecchi, o que o obriga a disputar a Q1 no sábado de manhã — um aperitivo de tensão para quem, nos últimos anos, tem vivido sob as luzes de favorito. Franco Morbidelli também viu a manhã complicada (13º), e Enea Bastianini permanece fora das primeiras colocações, acumulando preocupação para a equipe.
As Yamaha tiveram mais um dia difícil: Fabio Quartararo ficou apenas em 16º, enquanto Jack Miller figurou em 19º, à frente da segunda máquina de fábrica de Aleix Rins e do recém‑contratado Toprak Razgatlıoğlu, vindo do Mundial de Superbike.
Em síntese, o que se viu em Buriram foi menos um veredito definitivo e mais uma demonstração das múltiplas linhas de força que disputarão a temporada: tecnologia e ajuste — dominados hoje pela Aprilia —, experiência e capacidade de reagir, como exibida por Márquez e Di Giannantonio, e questionamentos sobre a consistência de nomes que, até então, eram referências absolutas, caso de Bagnaia. Amanhã, a primeira sprint dará o próximo e clarificador capítulo.
Artigo em atualização.






















