Por Giulliano Martini. Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: um pacote expedido da Bósnia‑Herzegovina e rotulado como “troféu de caça” foi interceptado na Cargo City do aeroporto de Malpensa contendo, além da pelagem declarada, o crânio de um urso‑bruno sem a documentação exigida pela CITES.
A descoberta ocorreu durante fiscalização efetuada pela Sezione operativa CITES da Guardia di Finanza do aeroporto varesino, em colaboração com agentes da Agenzia delle Dogane e dei Monopoli. O pacote — uma caixa de papelão lacrada e bem acondicionada — foi aberta com um estilete para inspeção. No interior, além de uma pelagem declarada como pertencente à espécie Ursus arctos, os fiscais encontraram um objeto de cor clara embalado em celofane: tratava‑se do crânio do animal.
O crânio não constava na documentação de transporte e não acompanhava qualquer autorização de importação prevista pela Convenção de Washington sobre o comércio internacional das espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção — a CITES. Sem os certificados e permissões exigidos, a operação de ingresso do material no território italiano configuraria irregularidade administrativa e potencial infração às normas internacionais de proteção de espécies.
Em cumprimento às normas vigentes, o crânio foi imediatamente sequestrado pela Guardia di Finanza para posterior confisca judicial. As autoridades procederam à formalização dos atos administrativos e à contestação da violação ao importador indicado na remessa. O caso segue sob investigação e o material apreendido ficará à disposição das instâncias competentes.
O episódio reforça que o tráfego ilícito de fauna continua presente nas rotas aeroportuárias. Em anos recentes, o mesmo aeroporto de Malpensa já foi palco de apreensões relevantes: em 2021, uma pelagem de onça‑pintada (jaguar) pronta para embarcar rumo à China foi interceptada; em outra ocasião, viajantes foram flagrados com exemplares raros de aves exóticas em bagagens.
Fontes oficiais destacam a importância do cumprimento rigoroso da legislação CITES para qualquer operação que envolva espécimes ou partes de animais protegidos. A legislação exige documentação precisa e licenças tanto para exportação quanto para importação, com procedimentos de verificação que incluem inspeção física das remessas e cruzamento de registros internacionais.
Do ponto de vista operativo, a ação em Malpensa evidencia a rotina de controle integrada entre forças de fiscalização aduaneira e units especializadas em espécies protegidas: combinação de vigilância documental, inspeção física e medidas de apreensão. Tráfico de animais e produtos derivados permanece uma prioridade nas agendas de controle fronteiriço, dado o impacto ambiental, legal e reputacional dessas práticas.
Relatórios futuros e atos administrativos deverão esclarecer responsabilidades e eventual aplicação de sanções ao importador, além de determinar o destino final dos itens apreendidos conforme a legislação italiana e os compromissos internacionais.
Fatos brutos, verificados e registrados: a apreensão em Malpensa é mais um indicador da persistência do comércio ilegal de espécies e da necessidade de fiscalização contínua nas rotas de transporte internacional.






















