Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O início promissor de Simone Inzaghi no futebol saudita deu lugar a uma fase de inquietação que, menos de um ano após sua chegada, já coloca sua permanência no comando do Al Hilal em xeque. O treinador italiano, que desembarcou em Riade com ambição e investimentos, vê agora o cenário se inverter: após uma sequência de vitórias que levou o clube ao topo da Saudi Pro League, a equipe acumulou empates e permitiu que adversários assumissem a dianteira.
Na primeira metade da campanha, o Al Hilal parecia sólido: contratações de peso e resultados positivos fizeram o clube abrir vantagem sobre o rival Al Nassr de Cristiano Ronaldo, chegando a ter sete pontos a mais depois do confronto direto na 15ª rodada. No entanto, nos sete últimos jogos do campeonato o time somou cinco empates, desperdiçando a margem construída e caindo para o terceiro lugar, quatro pontos atrás de um Al Nassr que hoje lidera a tabela.
A situação foi agravada a partir de janeiro, quando chegou ao clube Karim Benzema — uma contratação que, segundo relatos, contou com o aval do próprio técnico. Em vez de reverter a tendência, a chegada do astro coincidiu com o início de uma fase de estagnação. Clubes como o Al Ahli, com reforços como Franck Kessié e Merih Demiral, passaram à frente, enquanto torcedores começaram a manifestar descontentamento nas arquibancadas e nas redes sociais, pedindo a saída de Inzaghi.
Na imprensa árabe, circulam notícias de que os proprietários — os sheikhs — estariam avaliando a demissão do treinador. Para Inzaghi, os próximos compromissos serão cruciais: no campeonato, um confronto com o Al Shabab, atualmente na 12ª colocação, e nos torneios continentais, o duelo de oitavas de final da Liga dos Campeões da Ásia contra o Al Saad, comandado por Roberto Mancini — técnico com quem Inzaghi compartilhou tempo e memórias como colega na Lazio.
O risco de queda de posição ao longo da temporada não é novidade na trajetória recente de Inzaghi: na Itália, sua passagem pela Inter também teve momentos em que a liderança foi perdida no terço final do torneio, resultando em frustração coletiva. Esse padrão levanta questões sobre a capacidade de sustentação de projetos impulsionados por investimentos altos e mudanças rápidas — um tema que transcende resultados imediatos e toca a arquitetura esportiva e administrativa dos clubes modernos.
Mais do que um episódio de instabilidade tática, o momento do Al Hilal sob Inzaghi revela tensão entre expectativa e paciência: gestores e torcedores exigem retorno rápido sobre recursos e nomes de prestígio, enquanto processos de adaptação e cultura de clube costumam demandar tempo. A decisão sobre o destino do treinador, portanto, será também um termômetro sobre como a propriedade do futebol saudita antevê equilíbrio entre ambição e continuidade.
Nos próximos dias, a balança entre resultados imediatos e perspectiva estrutural dirá se a aventura de Simone Inzaghi no Oriente Médio continuará ou se será mais um capítulo de uma carreira marcada por episódios de reconstrução e repercussão.






















