Marco Severini — Espresso Italia.
Uma nova fase do debate sobre a liderança nos Estados Unidos ganhou corpo nos últimos dias: a percepção pública sobre a saúde mental de Trump deteriorou-se de forma mensurável, segundo pesquisas recentes. Um levantamento Reuters‑Ipsos, citado pela CNN, indica que 61% dos norte‑americanos consideram que o presidente ficou “mais imprevisível com a idade”. O número não se limita ao eleitorado adversário: inclui também cerca de 30% dos próprios apoiadores republicanos.
Os indicadores de confiança cognitiva e de resistência política mostram recuos consistentes. A proporção de cidadãos que descrevem Trump como “mentalmente agudo e capaz de enfrentar desafios complexos” caiu para 45%, frente aos 54% registrados em setembro de 2023. Pesquisa separada do Pew Research Center mostra uma queda na parcela de entrevistados “muito confiantes” na capacidade mental do presidente — de 39% para 32% no último ano.
Outros levantamentos coincidem: a fração de pessoas que acredita que Trump tem “resistência e perspicácia para servir eficazmente como presidente” recuou de 53% no final de 2023 para 46% mais recentemente. Tendências análogas aparecem quando a avaliação se refere à saúde física do mandatário.
O contexto é claro e simbólico de uma tectônica de poder em transformação. Trump, que completará 80 anos em junho, é hoje o presidente mais idoso na história dos EUA — um fator que há muito ocupa o centro das discussões públicas e técnicas sobre aptidão para o cargo. A questão não é apenas estatística: manifestações públicas, deslizes de discurso e performances consideradas incoerentes por observadores intensificaram os receios sobre a adequação cognitiva de quem ocupa a mais alta magistratura.
Não é a primeira vez que a lucidez do presidente está sob escrutínio. Durante a campanha presidencial de 2024, pesquisas chegaram a apontar que parcela significativa do eleitorado, sobretudo depois de episódios dramáticos como o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, via na sua lucidez um problema — com estimativas que colocavam até metade dos entrevistados considerando‑o “mentalmente instável”. Biógrafos, comentaristas e analistas políticos reuniram episódios de erros verbais e comportamentos públicos atípicos para reforçar essa leitura.
Do ponto de vista estratégico, essa erosão de confiança opera em múltiplos tabuleiros: erosão da autoridade moral doméstica, fragilização de alicerces diplomáticos e incremento do espaço para rivais e aliados reavaliarem compromissos e alinhamentos. Quando o conjunto de sinais públicos empurra a percepção coletiva para a dúvida, o efeito prático não é apenas eleitoral — é institucional.
Em suma, os números apresentados pelos institutos refletem um movimento decisivo no tabuleiro político americano. A dimensão demográfica do presidente, combinada com episódios de incoerência percebida, redesenha fronteiras invisíveis na percepção pública. A estabilidade das instituições exige atenção a esses indícios: longe de pirotecnias midiáticas, trata‑se de um teste sobre a robustez das estruturas de poder e sobre a capacidade da sociedade de gerir sucessões e contingências sem rupturas.
Este texto foi preparado para publicação no WordPress com formatação HTML básica e foco em clareza analítica.






















