Roma — O novo levantamento do instituto YouTrend para o Sky Tg24 desenha um quadro que pode ser descrito como decisivo dependendo da affluenza às urnas. A menos de um mês do referendo constitucional sobre a giustizia, marcado para 22 e 23 de março de 2026, o resultado mostra tendência distinta conforme o cenário de participação: em eleição com pouca mobilização o No aparece em vantagem, enquanto um turno com maior comparecimento deixa a disputa empatada entre Sì e No.
No cenário que considera apenas os eleitores que afirmam que vão com certeza votar — uma estimativa de affluenza em 46% — o No alcança 53,1% das intenções de voto. Já no cenário mais amplo, com participação estimada em 55,4% (inclui também quem declara que provavelmente irá às urnas), o quadro se nivela: Sì e No aparecem empatados, cada um com 50%.
Esses números corroboram o que outros institutos têm detectado nas últimas semanas: um crescimento na percentagem de respostas favoráveis ao No. Ainda assim, convém sublinhar a margem de incerteza que acompanha qualquer sondagem. O levantamento da YouTrend foi realizado com metodologia CAWI (entrevistas online) entre 24 e 25 de fevereiro de 2026, com uma amostra de 809 entrevistados. O erro amostral informado é de +/- 3,4%, com intervalo de confiança de 95% — o que significa que a partida permanece tecnicamente aberta e sensível a variações na participação.
Como correspondente que observa a interseção entre as decisões de Roma e a vida cotidiana, é preciso ler esses números como parte da arquitetura do voto: um alicerce que pode balançar com a mobilização cívica e com campanhas de última hora. Em termos práticos, a diferença entre um cenário e outro representa a ponte que separa um resultado confortável do No e um desfecho indefinido onde cada voto conta por dupla razão — tanto para decidir as reformas em discussão quanto para medir a força política das partes envolvidas.
Há dois pontos que merecem atenção imediata. Primeiro, a importância de interpretar o conceito de affluenza: quando se fala em 46% versus 55,4%, não é só uma estatística logística, mas sim o reflexo da capacidade de partidos, associações e mobilizações civis de transformar intenção em presença física nas seções eleitorais. Segundo, o tamanho da margem de erro indica que campanhas de alta intensidade nos dias que antecedem o referendo ainda podem redistribuir eleitores indecisos ou pouco informados.
Em suma, a sondagem da YouTrend é um mapa de possibilidades, não uma sentença. O cenário de baixa participação favorece o No; com mais eleitores nas urnas, a disputa se iguala. Para o eleitor e para quem acompanha a cena pública, o recado é claro: o peso da caneta no dia do voto será determinante e a construção de direitos depende, também, da construção de comparecimento.
Giuseppe Borgo — Espresso Italia. Repórter político investigativo, traduzindo a arquitetura das decisões de Roma para a vida dos cidadãos.






















