Eni apresentou hoje os resultados consolidados do quarto trimestre e do exercício de 2025 (ainda não auditados), confirmando um quadro operacional e financeiro de solidez relativa. O grupo reportou um lucro de €5 bilhões, uma redução de 5% em relação ao ano anterior, e um fluxo de caixa operacional de €12,5 bilhões, queda de 3,9%. Em resposta ao desempenho e à estratégia de retorno ao acionista, o conselho aprovou o aumento de 20% no valor do programa de buyback.
Na avaliação do CEO Claudio Descalzi, os números refletem a execução disciplinada de uma estratégia construída nos últimos anos: entrega de projetos dentro dos prazos e custos previstos, redução do nível de endividamento e maior distribuição de valor aos acionistas. Segundo Descalzi, os resultados de Exploration & Production foram “excelentes”, impulsionados pela alta da produção e pelo controle de custos.
Em termos operacionais, a produção anual superou a guidance e registou um crescimento underlying de 4%, sustentado pelo início de seis projetos relevantes. Quatro decisões finais de investimento (Final Investment Decisions) foram tomadas, fortalecendo o perfil de produção de médio prazo do grupo — um movimento que, no vocabulário da geopolítica corporativa, configura-se como um movimento decisivo no tabuleiro para preservar a resiliência produtiva.
No segmento de gás natural liquefeito (GNL), a business combination em curso com a Petronas, focada nos mercados de Indonésia e Malásia, foi destacada como passo estratégico para consolidar posição no Sudeste Asiático. Paralelamente, os negócios de transição energética — Enilive e Plenitude — geraram crescimento relevante e contribuíram para diversificar o perfil de receitas do Grupo.
Importante notar que a valorização atribuída por investidores de private equity a esses ativos de transição ultrapassou os €23 bilhões em termos de enterprise value, um indicador da atratividade desses negócios no mercado apesar do ambiente desafiador para renováveis e produtos low-carbon. No plano financeiro, o fluxo de caixa operacional de 2025 superou a previsão do plano revista para incorporar um cenário adverso, e a relação de endividamento pro forma situou-se em 14%.
A conjugação desses elementos levou o Conselho a ampliar a remuneração aos acionistas via aumento do programa de recompra de ações em 20% — um reforço do compromisso com a disciplina de capital e o retorno de caixa.
As perspectivas e as metas industriais e financeiras para 2026, bem como o horizonte de plano, serão comunicadas com mais detalhe durante o Capital Markets Update agendado para 19 de março de 2026. Um comunicado sumarizado da estratégia e dos objetivos do Grupo será divulgado antes da conference call e será disponibilizado no site da companhia e pelos canais regulamentares.
Do ponto de vista estratégico, estes resultados evidenciam como a Eni opera em duas frentes: consolidar a capacidade de produção tradicional e, simultaneamente, redesenhar alicerces para a transição energética. É um equilíbrio delicado — uma espécie de arquitetura clássica aplicada à tectônica de poder do setor energético — onde decisões de investimento, alianças regionais e retorno ao acionista formam peças de um mesmo mosaico geoeconômico.
Para investidores e observadores de política energética, o exercício de 2025 da Eni confirma que o grupo procura reduzir vulnerabilidades financeiras enquanto aposta em ativos que ampliam sua influência nos mercados de GNL e em soluções de baixo carbono. O movimento do buyback, nesse contexto, funciona também como sinal de confiança dos executivos na posição competitiva da empresa.






















