Prysmian encerrou 2025 entregando resultados históricos que aceleram sua trajetória de valor. Sob minha leitura como economista estratégica, vejo um grupo que combinou calibragem operacional e execução de M&A para transformar impulso industrial em resultados tangíveis — o verdadeiro motor da economia em setores de infraestrutura crítica.
O Grupo reportou um Adjusted EBITDA de € 2,398 bilhões (+11% ano a ano), um lucro líquido de € 1,27 bilhões (+13%) e uma geração de caixa de € 1,171 bilhões — todos recordes empresariais. A crescimento orgânico foi positivo em 4,3% no ano, com uma clara aceleração de tendências no quarto trimestre: margem de EBITDA ajustado subiu para 14,5% ante 12,7% no 4T24.
Detalhando por segmentos, o negócio Transmission entregou margens “best-in-class” de 20,9% no 4T, sustentado por um crescimento orgânico de 8,4% e um backlog robusto de € 17 bilhões — evidência de liderança tecnológica e vantagem competitiva em projetos HVDC e interconexões. O segmento Power Grid também acelerou: +12,8% orgânico no 4T, puxado por Norte da América e região EMEA. Em Electrification: Industrial & Construction, ganhos em receita e margem refletiram a expansão dos data centers nos EUA. Finalmente, Digital Solutions praticamente dobrou seu EBITDA ajustado para € 75 milhões, impulsionado pela contribuição de Channell e crescimento orgânico de 8,4%.
Na frente ESG, Prysmian avançou de maneira disciplinada: 50% dos colaboradores já são acionistas — meta 2028 alcançada com três anos de antecedência — e as emissões Scope 1 e 2 recuaram 40,2% versus 2019. As receitas provenientes de soluções sustentáveis chegaram a 44,2% do total, ante 43,1% em 2024. A proposta de dividendos prevê um aumento de 13%, para € 0,90 por ação, sinalizando atenção consistente ao retorno ao acionista.
O outlook para 2026 é ambicioso e crível: Adjusted EBITDA entre € 2,625 e € 2,775 bilhões, Free Cash Flow entre € 1,3 e € 1,4 bilhões, e receitas de soluções sustentáveis estimadas entre 47% e 49% do total. Esse guidance traduz a confiança na execução do plano estratégico “Accelerating Growth”, na integração de aquisições como Channell e Encore Wire, e na capacidade de converter escala e inovação em rentabilidade superior.
Como analista de mercado, destaco que Prysmian reuniu três elementos críticos: alavancagem operacional, disciplina de capital e portfólio orientado à transição energética — a combinação que atua como um sistema de transmissão bem projetado, sem os freios fiscais que frequentemente imobilizam expansão. A leitura prudente para investidores é que a companhia está numa fase de aceleração controlada, com espaço para capturar demanda em cabos de interconexão, grids inteligentes e infraestrutura para data centers.
Massimo Battaini, CEO da Prysmian, resumiu bem: o ano extraordinário é apenas o início de um novo capítulo de crescimento e rentabilidade, e as aquisições bem-sucedidas reforçam a evolução para solutions provider. Em termos de posicionamento estratégico, Prysmian não está apenas buscando escala — está redesenhando o desenho de políticas industriais e operacionais para transformar capex em vantagem competitiva.
Assinado, Stella Ferrari — Economista Sênior, especialista em desenvolvimento e performance corporativa.






















