Maria Alessandra Gallone tomou posse como nova Presidenta do ISPRA (Instituto Superior para a Proteção e a Pesquisa Ambiental), em nomeação assinada pelo Ministro do Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin. Em seu discurso inaugural, Gallone traçou um roteiro pragmático: maior transparência e informação direcionada aos cidadãos, fortalecimento técnico‑científico do instituto e uma atuação mais próxima das agências regionais e provinciais (ARPA e APPA).
Num momento em que a tensão ambiental desenha novas linhas no tabuleiro geopolítico, a Presidência assume um papel que vai além da mera coordenação administrativa. Na leitura estratégica que proponho, trata‑se de recolocar o ISPRA como o verdadeiro coração do Sistema Nacional para a Proteção do Ambiente (SNPA), capaz de traduzir evidências científicas em políticas públicas e em instrumentos concretos de prevenção.
A agenda anunciada privilegia três eixos complementares: consolidar a função técnico‑científica do instituto para orientar políticas sobre sustentabilidade, defesa do solo e a transição ecológica; investir no capital humano, valorizando pesquisadores e cientistas; e estreitar laços com as ARPA e APPA, fortalecendo a coesão entre os níveis nacional, regional e local. É uma configuração arquitetônica de governança: alicerces científicos sólidos, canais de diálogo com territórios e uma cultura da prevenção inteligível ao público.
Os desafios são conhecidos e numerosos: emergência climática, perda de biodiversidade, dissesto hidrológico e gestão das águas. A missão declarada por Gallone é manter o ISPRA como garante científico, convertendo dados e evidências em políticas eficazes para proteger o patrimônio natural italiano e conter o consumo de solo.
O perfil da nova Presidenta confere à estratégia uma combinação rara entre prática política e experiência acadêmica. Nascida em Bérgamo, classe de 1966, graduada em Línguas e Literaturas Estrangeiras, Gallone acumulou atividade docente e trajetória institucional. Em dois mandatos como Senadora da República, dedicou‑se a comissões cruciais, entre elas as ligadas aos ecoreati e à agricultura. Mais recentemente, atuou como consultora junto aos ministérios da Universidade e do Ambiente, trabalhando na interface entre pesquisa, inovação tecnológica e necessidades territoriais.
Na estreia de sua gestão, foi apresentada a nova “Piattaforma per la sostenibilità della finanza e delle imprese“, prevista para entrar em operação após o verão de 2026. A plataforma deverá oferecer às empresas e aos stakeholders um quadro transparente para compreender o estado dos territórios onde operam, permitindo decisões mais informadas e responsáveis.
Como analista de geopolítica e estratégia, observo que essa nomeação e o plano apresentado representam um movimento decisivo no tabuleiro institucional: reforçar a autoridade técnica do ISPRA é também prevenir que crises ambientais se traduzam em rupturas sociais e econômicas. Se bem implementada, a combinação de rigor científico, capital humano e integração territorial poderá redesenhar fronteiras invisíveis de responsabilidade e governança ambiental na Itália.
Marco Severini — Espresso Italia






















