Por Marco Severini – Espresso Italia
Em um momento marcado pelo prolongamento de conflitos e por um visível reposicionamento dos Estados Unidos na tábua de equilíbrio global, a Itália enfrenta a necessidade de redefinir seu papel na Europa e no Mediterrâneo. É nesse contexto de tectônica de poder que se realizou, entre 20 e 22 de fevereiro, a sexta edição do Forum in Masseria – Winter Edition, organizada por Bruno Vespa e Comin & Partners, nas históricas águas termais de Saturnia.
As Terme di Saturnia converteram-se em palco de um debate de alta intensidade estratégica: mais de 30 participantes — entre ministros, representantes institucionais e líderes empresariais — reuniram-se para buscar respostas concretas aos efeitos que o profundo mutamento das relações transatlânticas está a provocar na economia e na segurança do país. O objetivo declarado foi traçar um roteiro eficaz para governar as transformações, minimizando riscos e capturando oportunidades.
Com o título “2026: o papel da Itália entre desafios e oportunidades em um novo contexto econômico e geopolítico complexo”, o encontro desenrolou-se ao longo de oito painéis moderados por Bruno Vespa. Entre os convidados estiveram nomes de relevo institucional e empresarial: o Subsecretário à Presidência do Conselho com delega à informação e à edição, Alberto Barachini, o Subsecretário do Ministério da Agricultura, Patrizio Giacomo La Pietra, e executivos e dirigentes como Giulio Terzariol (Generali), Marco Troncone, Calderone, Massimo Caputi (Terme di Saturnia) e Regina Corradini D’Arienzo (SIMEST).
O leque de participantes — que incluiu presidentes de associações industriais, diretores de institutos culturais e chefes de grandes companhias de transporte e serviços — tornou evidente a amplitude do debate: da segurança energética às cadeias de abastecimento, da proteção das infraestruturas críticas às políticas de defesa comum, sem esquecer a promoção das exportações e a governança das inovações tecnológicas.
Os painéis procuraram combinar diagnóstico e prescrição: alternaram-se avaliações sobre o impacto da realinhamento transatlântico, propostas para fortalecer a autonomia estratégica europeia e medidas práticas para apoiar o tecido produtivo italiano. A presença de representantes de Confartigianato, Confagricoltura, ENEA, ITA Airways, Trenitalia, Veolia e SIMEST reforçou o caráter pragmático do encontro.
Como analista que observa o tabuleiro internacional, destaco a qualidade dos diálogos: não se tratou apenas de enumerar problemas, mas de iniciar a construção de alicerces institucionais e industriais capazes de conferir à Itália maior previsibilidade estratégica. Em termos diplomáticos, o Fórum funcionou como uma cartografia atualizada de interesses e vulnerabilidades — essencial para formular movimentos políticos coerentes e sustentáveis.
Ao fim dos três dias, a sensação predominante foi a de que a Itália dispõe de instrumentos e lideranças para disputar um papel mais firme na Europa e no Mediterrâneo, desde que se consiga transformar consensos retóricos em políticas estáveis. O desafio é colocar em prática as recomendações emergentes, alinhando visão estratégica e capacidade executiva — como em uma partida de xadrez de alta complexidade, onde cada peça deve cumprir seu papel para proteger o rei: a soberania nacional e a prosperidade coletiva.






















