Por Giuseppe Borgo – Espresso Italia
Em conferência de imprensa realizada no Parlamento Europeu, o general Roberto Vannacci anunciou oficialmente sua entrada no grupo europeu Esn (Europa das Nações Soberanas), a família sovranista associada à Alternative für Deutschland (AfD). Ao lado do capogruppo René Aust, Vannacci definiu as linhas mestras de sua nova aliança: defesa da soberania nacional, oposição ao projeto de federalização da UE e crítica frontal ao Green Deal.
“É uma honra; eu me reconheço totalmente nos princípios e ideais deste grupo”, declarou o ex-eurodeputado da Lega, citando como prioridade a proteção das tradições greco-romanas que, segundo ele, estruturam a identidade europeia. Vannacci acrescentou que o debate sobre imigração não é apenas econômico — “não é só importação de força de trabalho, mas também de culturas e civilizações totalmente diferentes das nossas” — e que o grupo trabalhará para conter o que chama de “a maior fraude da UE”, referindo-se ao Green Deal.
Do ponto de vista político doméstico, a movimentação reacendeu atritos. O líder da Lega, Matteo Salvini, classificou Vannacci como “ingrato” e afirmou que seu lugar no Parlamento Europeu pertenceria ao partido. Em resposta pública, o general devolveu o ataque e chamou Salvini de “traidor”, citando divergências sobre o envio de armamentos à Ucrânia e questões relativas à reforma das pensões (referência à lei Fornero).
A transferência atraiu também apoios: o ex-deputado do FdI Pozzolo declarou nas redes sociais que acompanhará Vannacci no novo percurso político. Pozzolo, que esteve nas manchetes após um incidente registrado na virada do ano, estava inscrito até então no grupo misto. “O general pode ser o Charles de Gaulle italiano”, disse ele, sugerindo que o novo espaço político pode até dialogar com setores da esquerda, conforme interesses nacionais.
Vannacci enfatizou que sua formação, Futuro Nazionale, não integra atualmente nenhuma coalizão: “O partido é recém-nascido e está começando a tomar forma. Hoje o Futuro Nazionale caminha com seus próprios pés.” Ele admitiu ter votado a favor da confiança ao atual governo por considerá-lo “o menos pior”, mas afirmou não se contentar com isso e desejar “coisas melhores para meus filhos e para a Itália”.
No plano legislativo europeu, os vannacciani apresentaram um emendamento contra o envio de armamentos a Kiev, posição que reavivou a disputa com Salvini, acusado por eles de tentar barrar a votação e forçar uma confiança que consolidaria a posição do governo atual.
Esta adesão ao Esn redesenha a arquitetura política dos grupos soberanistas em Bruxelas e em Roma: é uma nova laje colocada nos alicerces das forças que contestam a integração federal europeia. Para o eleitor, a transição de um ex-deputado da Lega a um bloco próximo ao AfD levanta questões práticas sobre representação, prioridade de políticas e a eficácia das pontes que se constroem entre nações. A movimentação terá reflexo no debate sobre imigração, energia e soberania que molda decisões concretas — e o peso da caneta em Bruxelas ainda será calculado nos próximos meses.
Imagem sugerida: foto de Roberto Vannacci em pé diante da bandeira europeia durante a conferência de imprensa, acompanhado por René Aust.






















