Sondagem Ixè aponta avanço do No e destaca indecisos como chave do referendo
Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — A pouco mais de um mês da votação, uma nova pesquisa do instituto Ixè revela uma mudança clara no panorama do referendo da justiça na Itália: o No aparece com vantagem de seis pontos sobre o Sì, com 53% contra 47%. O levantamento, realizado entre 17 e 23 de fevereiro em uma amostra de 1.200 entrevistados, aponta também uma afluência prevista de 46%.
Trata-se de um resultado significativo, sobretudo se comparado a sondagens anteriores que, até recentemente, davam o Sì em posição de vantagem. A virada descrita por Ixè sugere que a batalha nas urnas pode estar sendo redesenhada ao ritmo da mobilização social e das campanhas políticas.
Um dado que atua como verdadeiro alicerce dessa análise: os indecisos respondem por cerca de 40% do campione. São eles, portanto, o principal pilar que pode inclinar a balança do pleito. Outro ponto relevante é o desconhecimento sobre uma regra técnica que afeta a validade do referendo: quase um terço (31,9%) dos consultados ignora que a consulta será válida mesmo sem atingir o quorum de 50%+1.
O instituto YouTrend — citado em paralelo — oferece cenários complementares. Em hipótese de baixa afluência (46,5%), o No venceria por 51,1% contra 48,9% do Sì, uma diferença de 2,2 pontos. Em cenário oposto, com alta participação (58,5%), o Sì apareceria à frente, com 52,6% ante 47,4% do No. São projeções que revelam a fragilidade do resultado perante a dinâmica do comparecimento eleitoral.
Quanto ao perfil dos eleitores, a pesquisa Ixè identifica tendências demográficas claras: entre os mais propensos a votar No estão os jovens de 18-34 anos (71%), as mulheres (60%), quem se declara sem posição política (60%) e aqueles que se abstiveram nas últimas eleições (64%). Já o Sì conserva maiorías em faixas etárias superiores: 45-54 anos (60%), 55-64 anos (57%) e no eleitorado masculino (53%).
No cenário político, não faltaram episódios que inflamaram o debate: o Partido Democrático tentou intensificar a campanha pelo No publicando um vídeo com os atletas italianos do curling, conteúdo que acabou sendo retirado após protestos do Comitê Olímpico e de representantes esportivos.
Como repórter que observa a construção dos direitos e a arquitetura do voto, destaco que estes números não são apenas estatística — são o reflexo do peso da caneta nas decisões que podem alterar carreiras na magistratura e influenciar o cotidiano jurídico do cidadão. A segunda metade da campanha será decisiva para derrubar barreiras burocráticas de desinformação e transformar intenção em comparecimento.
Em resumo: o No surge agora em vantagem, mas a decisão permanece sujeita ao movimento dos indecisos e à taxa de afluência. A ponte entre as intenções e o resultado final será construída nas próximas semanas.






















