Caso Almasri: encerradas investigações sobre a chefe de gabinete Giusi Bartolozzi
Por Giuseppe Borgo — Espresso Italia
Nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, a Procura de Roma notificou a conclusão das indagini relativas a Giusi Bartolozzi, chefe de gabinete do Ministério da Justiça, investigada por supostas false informazioni al pm no contexto do caso Almasri. A própria Bartolozzi informou ter recebido, por meio de seu advogado, o aviso de encerramento das investigações preliminares e declarou-se “absolutamente serena e senza condizionamenti”, afirmando que continuará a exercer suas funções “com senso di responsabilità”.
O episódio reacende o debate sobre o papel da administração pública em momentos sensíveis: a sequência de acontecimentos, a divulgação de informações e a eventual interferência política compõem um mosaico em que a transparência e a prudência deveriam ser os alicerces. A figura de Giusi Bartolozzi, neste cenário, transforma-se em um ponto de contato entre decisões ministeriais e a confiança pública — uma verdadeira ponte entre as instituições e os cidadãos.
O ministro da Justiça, Carlo Nordio, declarou “massima e incondizionata fiducia” no trabalho de sua chefe de gabinete e expressou “umana vicinanza” à servidora. Nordio também enfatizou que Bartolozzi continuará a apoiar sua ação de reforma com “ancora maggiore motivazione”. A manifestação pública do ministro, contudo, gerou questionamentos sobre a tempistica da defesa e sobre a conveniência de posicionamentos oficiais em fases processuais ainda sensíveis.
O caso Almasri refere-se a Njeem Osama Elmasry Habis, acusado pela Corte Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil na Líbia, particularmente nas prisões instaladas no aeroporto militar de Mitiga. Almasri foi detido em 19 de janeiro de 2025 em Turim e posteriormente transferido para Tripoli, episódio que alimentou intensas controvérsias políticas e jurídicas na Itália.
No campo político, as repercussões somam-se a outras frentes: recentemente, o Ministério da Justiça solicitou à Associação Nacional dos Magistrados (ANM) a divulgação dos nomes de financiadores privados do Comitê pelo “No” ao referendo — medida qualificada por opositores como um possível ato intimidatório. O presidente da ANM, Parodi, respondeu defendendo a autonomia do Comitato. Esses eventos mostram uma arquitetura conflituosa entre controle institucional e liberdades civis, em que cada movimento administrativo pesa como o traço de uma régua sobre a construção do debate público.
Como repórter atento às intersecções entre Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, observo que a decisão de encerrar as indagini sobre Bartolozzi não dissolve as dúvidas políticas: persiste a necessidade de clareza sobre fluxos de informação, responsabilidades formais e o papel do Ministério em episódios de segurança internacional. A escolha entre sigilo e transparência — a demarcação entre o que deve ser protegido pelo Estado e o que pertence ao escrutínio público — continua sendo um dos alicerces da cidadania democrática.
Para além das declarações institucionais, resta à opinião pública e aos órgãos de controle acompanhar com rigor os próximos passos processuais e administrativos. O peso da caneta ministerial e a arquitetura das decisões serão, novamente, prova do compromisso entre o poder e a sociedade.
Giuseppe Borgo — Espresso Italia






















