Por Otávio Marchesini — A Roma aproveitou os tropeços de Napoli e Juventus e reafirmou ambição europeia com uma vitória convincente: 3-0 sobre a Cremonese, resultado que coloca os giallorossi na terceira posição, ao lado dos azzurri e quatro pontos à frente dos bianconeri. Foi uma noite que reforça não apenas estatísticas, mas uma narrativa coletiva que volta a dar sentido às esperanças romanas de voltar à Champions.
No aspecto tático, Gasperini recuperou Wesley e pensava em escalar Hermoso, mas a contusão do espanhol no aquecimento obrigou a alternativa: entrou Ghilardi. Do lado visitante, Nicola optou por deixar Vardy no banco, confiando no par de ataque Sanabria-Bonazzoli. Logo nos primeiros minutos ficou claro o roteiro: domínio territorial da Roma, Cremonese fechada em bloco e dependente de transições rápidas.
Os anfitriões insistiram na pressão alta e em aproveitar as arrancadas de Malen e a presença de área de jogadores como Pellegrini. Numa das raras ocasiões em que a Cremonese saiu um pouco mais para o jogo, Zaragoza colocou uma bola na área que encontrou a testa de Mancini, mas a bola acertou a trave. Pellegrini ainda teve uma cobrança de falta para esquecer e, pouco depois, sua tentativa em rovesciada foi bloqueada pela defesa adversária.
O equilíbrio foi quebrado aos 59 minutos. Em cobrança de escanteio batida por Pellegrini, Cristante elevou-se e encontrou uma linda torsão de cabeça que superou Audero: 1-0. A partir daí, a partida ganhou contornos de controle mais definido para os romanos, que passaram a gerir o jogo com maior segurança, alternando pressão e cuidado defensivo.
Na segunda fase, o trabalho coletivo rendeu frutos novamente em bola parada. Aos 77 minutos, em um cruzamento de El Aynaoui, houve um toque de Cristante que deixou a bola para Ndicka — o zagueiro marcou seu primeiro gol na Serie A, ampliando para 2-0 e confirmando a superioridade tática de Gasperini.
A Cremonese ainda teve lampejos: Vardy teve uma grande chance aos 82, mas encontrou Svilar bem postado; pouco depois, Thorsby desperdiçou cabeceio importante. Quando a partida parecia caminhar para um desfecho confortável, aos 86 minutos Pisilli finalizou um lance criado por Malen e fechou o placar em 3-0.
Além do resultado, a leitura que fica é política e simbólica. A Roma não apenas soma pontos: reconstrói um discurso público necessário à cidade — o de um clube que reivindica novamente protagonismo continental. O Olímpico, como arena cultural, confirmou-se mais uma vez lugar de resgate identitário para a torcida, que viu na partida elementos familiares de uma narrativa de recuperação: intensidade, gols em bola parada e protagonismo de veteranos que entendem o momento.
Para a Cremonese, a noite reforça a crise longe de casa: quinta derrota seguida como visitante e jejum de vitórias que persiste desde 7 de dezembro. Para a Roma, é um impulso prático e simbólico rumo à zona de classificação que dá acesso às receitas e ao prestígio da Champions. Resta agora preparar a próxima batalha, um confronto direto contra a Juventus, que promete testar o real alcance desta retomada.
Observação técnica: desempenho defensivo consolidado, eficácia nas bolas paradas e a capacidade de controlar momentos de jogo foram determinantes para que a Roma convertesse domínio em resultado.






















