Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — O Torino oficializou nesta segunda-feira a saída de Marco Baroni do comando da equipe principal. Em nota, o clube granata afirmou: “O Torino Football Club comunica de haver exonerado Marco Baroni do cargo de treinador da Primeira Equipe. A Sociedade agradece ao técnico e sua equipe pelo trabalho realizado até o momento com empenho e correção e lhes deseja o melhor para o prosseguimento da carreira”.
A decisão segue a derrota pesada para o Genoa e uma classificação que preocupa: apenas 27 pontos em 26 rodadas do campeonato. Esse saldo, traduzido em insatisfação dentro do ambiente societário e na arquibancada, tornou insustentável a continuidade do projeto sob a batuta de Baroni.
O substituto anunciado é Roberto D’Aversa, que firmou contrato com o Torino até 30 de junho de 2026 e fará sua estreia no banco granata no próximo jogo em casa, contra a Lazio. A escolha privilegia um treinador com histórico de reconstrução e experiência em trajetórias de subida e manutenção em categorias distintas.
Nascido em 12 de agosto de 1975, em Stuttgart, Alemanha, D’Aversa teve carreira sólida como meio-campista. Revelado no Milan, vestiu também as camisas de Sampdoria, Pescara e Monza na Série B, além de passagens por Messina e Siena na elite. Pendendo para a coerência com a identidade do clube, trata-se de um técnico que conhece a tessitura do futebol italiano, tanto em sua base quanto no ápice.
Após encerrar a carreira em 2013, D’Aversa iniciou trajetória nos bastidores como diretor técnico da Virtus Lanciano, antes de assumir como treinador. Chegou ao Parma em 2016 e viveu um período emblemático: conduziu os emilianos da Série C à Serie A em duas temporadas, conquistando uma recuperação esportiva de grande significado e, posteriormente, a permanência na elite. Passagens por Sampdoria, Lecce e Empoli completam um currículo que agora se confronta com o desafio granata.
O cenário que recebe Roberto D’Aversa é, contudo, complexo. O Torino é um clube com memória coletiva potente — os estádios, as cores e a geografia emocional do Piemonte — e a alteração no comando técnico aponta para uma necessidade mais ampla: recuperar competitividade sem perder identidade. A tarefa de D’Aversa será, além de ajustar esquema e rotinas, restabelecer confiança e extrair rendimento constante de um elenco que ainda não encontrou regularidade.
Do ponto de vista estratégico, a contratação reforça a predileção por perfis que já demonstraram capacidade de reerguer times em situações delicadas. Resta agora avaliar em que medida a experiência de D’Aversa na promoção e na manutenção em Série A se traduzirá em resultados imediatos no Torino, um clube cuja história impõe urgência, mas também exige cuidado para que a mudança não se traduza em perda de projeto de médio prazo.
O futebol, como fenômeno social e cultural, revela-se mais uma vez aqui: uma decisão técnica reverbera na cidade, nas finanças do clube e na memória dos torcedores. O que está em jogo é, sobretudo, a capacidade do Torino de transformar desânimo em estabilidade, e o papel de Roberto D’Aversa será central nessa equação.






















