Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: inspetores do Ministério da Saúde chegaram à tarde ao hospital de Bolzano para levantar documentação e verificar a dinâmica que precedeu a morte do pequeno Domenico, de dois anos, falecido no hospital Monaldi, em Napoli, após um transplante de coração que apresentou problemas.
Os técnicos do Ministério vão recolher os arquivos que detalham o procedimento de explante do coração em Bolzano, bem como toda a documentação relativa à sua conservação e ao transporte até Nápoles. A investigação busca reconstruir, com precisão cronológica, os atos médicos e logísticos que antecederam a cirurgia de 23 de dezembro.
Enquanto a Justiça aguarda a resposta do juiz ao pedido de incidente probatorio formulado pelo advogado Francesco Petruzzi, defensor de Patrizia Mercolino, mãe do menino, cresceu a controvérsia em torno da imagem publicada por jornais que mostra o recipiente utilizado para transportar o órgão de Bolzano a Napoli.
Da foto analizada por peritos, trata-se de uma bolsa térmica rígida de plástico, cor azul, com alça laranja e a inscrição, a marcador, “S.OP.C.CHPED”, possivelmente abreviação de Sala Operatória Cardiochirurgia Pediátrica. A questão de maior relevância para os investigadores não é apenas o estado do recipiente, mas o tipo de refrigerante utilizado durante o trajeto: a utilização de ghiaccio secco (dióxido de carbono que pode reduzir a temperatura até cerca de -80°C) em vez de gelo de água para manter o órgão em hipotermia temporária.
O uso de ghiaccio secco levanta dúvidas técnicas sobre o tempo e as condições de conservação do coração antes do implante e é ponto de colisão entre equipes de Bolzano e de Nápoles. A investigação técnica pretende estabelecer se a prática seguiu protocolos aceitáveis ou se houve falha nas condições de transporte que possa ter comprometido o transplante.
Para aprofundar as linhas de investigação digital, serão oficialmente nomeados amanhã os engenheiros forenses Michele Colimoro e Salvatore Carusio para a perícia nos aparelhos celulares apreendidos de sete indiciados relacionados à morte de Domenico Caliendo. O promotor Giuseppe Tittaferrante requisitou a análise de conversas de chat, mensagens de voz e texto e demais vestígios digitais que possam elucidar as decisões tomadas no dia do transplante, 23 de dezembro.
A data do incidente probatorio — procedimento que deve ocorrer em conjunto com a autópsia — ainda será fixada pelo juiz. A autópsia é condição para a devolução do corpo à família; fontes judiciais indicam a previsão de liberação para os funerais possivelmente no final da próxima semana.
Este é um caso que exige exame técnico meticuloso e limpeza de narrativas. A equipe de reportagem mantém o acompanhamento contínuo dos desdobramentos, com verificação documental e entrevistas às instituições envolvidas, para apresentar os fatos brutos ao leitor sem conjecturas.






















