Em audiência perante a Comissão parlamentar de inchiesta sulle attività illecite connesse al ciclo dei rifiuti, o administrador‑delegado da Sogin, Gian Luca Artizzu, prestou depoimento técnico sobre a gestão dos resíduos radioativos e o processo de desmantelamento nuclear na Itália. A intervenção teve tom de prestação de contas: o dirigente rechaçou críticas recentes e destacou resultados alcançados pela empresa pública responsável pelo decommissioning.
Na exposição, Artizzu afirmou que, apesar de «defeitos», a Sogin é reconhecida como uma excelência do setor em nível internacional, apontando um «gap» substancial entre a reputação no exterior e a percepção doméstica. Segundo ele, qualificativos negativos atribuídos à companhia muitas vezes não se sustentam quando confrontados com dados e fatos objetivos. Ao mesmo tempo, o executivo reconheceu problemas existentes e defendeu que estes sejam trazidos à tona e administrados com instrumentos de gestão.
Como elemento de comparação, Artizzu citou benchmarks internacionais, incluindo uma análise da Arthur D. Little de 2020, usada para sustentar que os custos italianos de desmantelamento estão em linha ou abaixo dos praticados em outros países. O argumento central é que os números não confirmam uma narrativa de ineficiência sistêmica, mas sim um quadro técnico complexo, sujeito a comparações calibradas.
Quanto à tese de «atrasos estruturais», o administrador rejeitou a ideia e recordou que os decretos de ativação dos sítios ocorreram em momentos distintos: 2008 (Bosco Marengo), 2012 (Trino e Garigliano), 2014 (Caorso), 2020 (Latina, primeira fase) e 2025 (Ispra 1). «Hipotizar que o decommissioning poderia estar concluído em 2020 é, no mínimo, velleitário», observou, situando prazos em uma leitura factual e cronológica.
Entre os fatores que, segundo Artizzu, retardam o processo, foi destacado o rigor dos parâmetros de liberação italianos — definidos, em sua exposição, como de 10 a 10.000 vezes mais restritivos do que os indicados pela Comissão Europeia e além dos novos orientamentos da AIEA em tramitação. Outro ponto técnico sensível é a incompletude da cadeia industrial nacional: ausência de incineradores com padrão nuclear e de capacidade de fusão de materiais radioativos que obriga a convocação de concorrências internacionais.
Do quadro técnico decorre uma proposta pragmática: buscar acordos que permitam o reuso de materiais sem que os resíduos retornem à Itália, reduzindo custos e prazos logísticos. «A Sogin não deve ser colocada na posição de se desculpar por existir, ou ser tratada como um grupo ineficiente quando os números expressam outra realidade», afirmou Artizzu com ênfase.
O administrador também declarou ter «tomado atto» das observações do recém‑nomeado comissário da ARERA, Livio de Santoli, recordando que divergências entre controlador e controlado são comuns na dinâmica institucional. Sogin pretende esclarecer pontos pendentes em próxima convocação ao novo Colégio de Comissários da ARERA, reiterou Artizzu.
Por fim, ressaltou ter acolhido positivamente dois apontamentos da autoridade: a chamada à neutralidade tecnológica e à integração entre renováveis, nuclear e sistema energético. A audiência traduziu, em termos técnicos e factuais, um diagnóstico de progresso acompanhado por obstáculos regulatórios e logísticos que exigem respostas coordenadas.
Relato de apuração: cruzamento de fontes oficiais, documentos de referência e análise de benchmarks citados — a realidade traduzida sem linguagem laudatória, com foco nos fatos brutos e na cronologia do processo de desmantelamento.






















