Roma — A Procura de Roma comunicou formalmente o aviso de conclusão das investigações ao chefe de gabinete do Ministério da Justiça, Giusi Bartolozzi, no âmbito do inquérito relacionado ao caso conhecido como Almasri. A notificação foi confirmada pela própria Bartolozzi por meio de nota oficial, em que afirmou estar “absolutamente serena” e que continuará a desempenhar suas funções “com sentido de responsabilidade”.
Segundo a nota, o documento processual foi entregue por intermédio do advogado da servidora. Bartolozzi já constava no registro de indiciados desde alguns meses atrás pela suposta prática do crime previsto no artigo 371-bis do Código Penal — informazioni false al pubblico ministero (declarações falsas a um magistrado).
O ministro da Justiça, Carlo Nordio, afirmou publicamente solidariedade e plena confiança em sua chefe de gabinete. Em comunicado, Nordio declarou estar “perplesso” quanto ao momento escolhido para a iniciativa processual, mas reiterou que Bartolozzi continuará a acompanhá-lo na agenda de reformas com “ainda maior motivação”.
Contexto político e processual: em 9 de outubro do ano anterior, a Câmara dos Deputados (Montecitorio) negou autorização para processar o próprio Carlo Nordio — pedido formulado pelo Tribunal dos Ministros. A decisão seguira o alinhamento do centro-direita na votação da Comissão de Autorizzazioni, que havia rejeitado pedido de prosseguimento contra o ministro. Entre as acusações que emergiram dos autos do Tribunal dos Ministros estavam omissão de atos de ofício e favorecimento. As mesmas imputações, em concurso, foram apontadas também contra o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, e o subsecretário da Presidência do Conselho, Alfredo Mantovano. Piantedosi e Mantovano chegaram a ser acusados, adicionalmente, de peculato em concurso, conforme os elementos reunidos na instrução.
O núcleo do processo que motivou os desdobramentos é o episódio envolvendo Njeem Osama Elmasry Habish, conhecido como Almasri, então chefe da polícia judiciária da Líbia. Almasri foi detido em 19 de janeiro do ano anterior em Turim, em cumprimento a mandado de prisão da Corte Penal Internacional (CPI), que o imputava por crimes contra a humanidade e crimes de guerra praticados desde 15 de fevereiro de 2015 na prisão de Mitiga.
Dois dias após sua detenção, a Corte de Apelação de Roma ordenou sua libertação por supostas irregularidades processuais nos procedimentos de detenção. Imediatamente após a decisão, Almasri foi transferido de volta a Trípoli em avião fretado pelo Estado italiano. Em 6 de novembro, a Procuradoria-Geral da Líbia emitiu ordem de prisão contra ele; mais adiante, Almasri foi levado a julgamento por acusações de tortura contra migrantes e pela morte de uma das vítimas.
Apuração e próximos passos: o recebimento do avviso di conclusione delle indagini não constitui, por si só, condenação. O instrumento formaliza o encerramento da fase preliminar e pode anteceder pedido de arquivamento, acordo ou oferecimento de denúncia pelo Ministério Público. Fontes jurídicas consultadas destacam que a defesa da servidora terá agora prazo para apresentar petições, requerer diligências complementares ou solicitar o arquivamento.
Esta reportagem baseia-se em comunicado oficial da interessada, declarações do ministro e no cruzamento de informações extraídas dos atos processuais públicos relativos ao caso Almasri. Continuaremos a acompanhar os desdobramentos e eventuais inscrições de denúncia ou decisões de arquivamento junto à Procura de Roma.
Assinatura: Giulliano Martini — Espresso Italia. Apuração in loco e cruzamento de fontes jurídicas.






















