Por Stella Ferrari — A recente manobra tarifária anunciada pelos Estados Unidos reacende a necessidade de calibragem fina entre aliados: depois que juízes de Washington anularam os dazos implementados no verão passado, a administração norte-americana impôs um dazio temporário de 10% sobre diversas importações, em adição às tarifas do regime NMF já existentes. A Comissão Europeia, por meio do porta-voz responsável pelo Comércio, Olof Gill, deixou claro quais categorias da União Europeia permanecem isentas dessa nova sobretaxa.
Segundo o comunicado da Comissão, estão excluídos do novo encargo tarifário produtos ligados a aeronaves e peças de aeronaves, produtos farmacêuticos e produtos energéticos. Essa lista de isenções explicita que não há uma sobreposição com os direitos aplicados ao abrigo da Seção 232 — que já incidem sobre setores como aço, automóveis, caminhões e madeira.
A União Europeia espera que os Estados Unidos cumpram os compromissos assumidos na Demonstração Conjunta, assim como a UE respeitará os seus. A Comissão sublinha que os produtos europeus devem continuar a beneficiar de um tratamento competitivo, sem aumentos tarifários além do teto previamente acordado, fixado em 15%. Em grande parte das exportações europeias para os EUA, o direito do regime NMF é inferior a 5%; no entanto, uma fatia limitada — cerca de 7% das exportações da UE para os EUA — tem tarifas NMF superiores a 5%.
Washington qualificou o quadro atual como uma fase de transição, com duração máxima de 150 dias. A Comissão Europeia está em contacto com as autoridades americanas para obter clarificações rápidas sobre quaisquer medidas adicionais e para negociar isenções tarifárias suplementares, sempre alinhada com a nossa abordagem consistente à implementação da Demonstração Conjunta. A prioridade declarada é garantir certeza jurídica e previsibilidade para empresas e exportadores da UE.
Do ponto de vista prático, empresas exportadoras, cadeias de fornecimento e operadores financeiros terão de ajustar os seus modelos de risco e preço até que haja uma definição final. Como estrategista, vejo este episódio como uma necessidade de recalibragem: o motor da economia transatlântica requer afinação — políticas transparentes e prazos definidos — para manter a aceleração do comércio sem gerar rupturas operacionais desnecessárias.
A Comissão continuará a consultar estreitamente o Parlamento Europeu e os Estados‑Membros. O Comissário Sefcovic, ao intervir na comissão INTA do Parlamento Europeu, reiterou a importância de manter o processo em movimento e de implementar os compromissos da Demonstração Conjunta. Em suma, a prioridade da UE é proteger os interesses das empresas europeias, assegurando tratamento justo, previsibilidade e segurança jurídica enquanto se negocia a estabilidade deste novo enquadramento tarifário.
Para exportadores e gestores, a recomendação é clara: avaliar exposição por produto, renegociar contratos onde necessário e reforçar estratégias de hedging e logística. Em termos macro, é imperativo que as decisões tarifárias sejam comunicadas com a mesma precisão de um projeto de engenharia — sem oscilações abruptas que prejudiquem a performance. A diplomacia económica está em marcha; resta esperar que a clareza chegue antes de o mecanismo entrar em marcha completa.






















