Por Stella Ferrari — Em um cenário de incertezas globais, Eni entregou resultados que superaram as expectativas do mercado, com impacto imediato no valor de mercado: as ações avançaram para €19,35 (+2,50%), ultrapassando os €19 por ação.
No quarto trimestre de 2025, o lucro líquido ajustado da companhia saltou 35% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo €1,20 bilhão. Paralelamente, o fluxo de caixa operacional ficou em €3 bilhões, um avanço de 4% — um rendimento que funciona como o torque do motor financeiro da empresa, sustentando investimentos e remuneração aos acionistas.
A gestão ativa do portfólio e o fluxo de caixa robusto permitiram à Eni reduzir seu nível de endividamento a um patamar historicamente contido de 14%.
Do ponto de vista operacional, a produção de hidrocarbonetos no 4T25 atingiu 1,84 milhão de boe/dia, crescimento de mais de 7% frente ao 4T24 (1,73 milhão no ano-base), e 1,73 milhão boe/dia no consolidado de 2025 (+1% em base anual). Excluídas as desinvestidas realizadas em 2024 (Nigéria, Alasca e Congo), a produção cresceu 9,2% no trimestre em comparação com o 4T24.
Em termos sequenciais, a produção aumentou 5% em relação ao 3T25, impulsionada pela entrada em regime dos projetos na Noruega, Angola, Indonésia e México, além de um maior contributo da Líbia. A empresa destaca a execução pontual de seus planos de desenvolvimento como fator decisivo para essa aceleração — uma calibragem precisa entre timing e custos, que lembra a engenharia de um motor de alto desempenho.
Na agenda estratégica, a Eni formalizou acordos e avanços relevantes: parceria com a Petronas para criar uma joint venture na Indonésia e na Malásia, com início previsto para meados de 2026; progressos significativos rumo à decisão final de investimento (FID) do projeto Argentina LNG, em conjunto com YPF e XRG; e expansão do portfólio Ggp (Global Gas & LNG Portfolio) com contratos de longo prazo na Turquia e Tailândia.
No segmento de transição energética, a área de negócios Plenitude ampliou sua posição com ativos renováveis da Neoen na França e ganhos de clientes decorrentes da aquisição em curso da Acea Energia. A companhia também avança em um portfólio sólido de projetos de biocombustíveis, com objetivo de triplicar capacidade até 2030.
O CEO Claudio Descalzi comentou que 2025 representou uma entrega consistente e estruturalmente sólida em frentes industriais e econômico-financeiras, com projetos concluídos dentro dos prazos e orçamentos previstos, redução do endividamento e aumento da distribuição aos acionistas.
Durante a conference call com analistas, Descalzi trouxe novidade sobre o Venezuela: a licença geral 50 recentemente emitida permite que a Eni receba pagamentos por gás em forma de petróleo, sinalizando oportunidades operacionais e econômicas adicionais para a companhia.
Em síntese, a leitura dos resultados revela uma companhia que otimiza seu portfólio e acelera projetos orgânicos — um verdadeiro motor de execução que combina disciplina financeira e desembolso calibrado em ativos de alto retorno.






















